Eu sou a mula presente e paciente, como um campo vivo de girassóis falantes.

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Coisas realmente condenáveis...

... E que fazem você se tornar ridículo.

Mais um plantão extraordinário do Serviço de Etiqueta e Semancol Pela Suavização do Horror Que é a Vida na Terra (SESPSHQVT).

Existem coisas que podem destruir a imagem de qualquer pessoa, especialmente a sua.
Evite esses erros horrendos e garanta algum respeito à sua pessoa, ainda que não por méritos reais, mas apenas por não incorrer em bobagens que destroem a reputação de qualquer sujeito.

- Quando for cumprimentar alguém, tocar a mão da pessoa como se fosse um peixe morto há três dias. Também não precisa prensar a mão dela numa morsa para esmigalhar as articulações.

- Esquecer de tomar banho. Por dias seguidos, então, nem pensar. Se for preciso, anote na agenda.

- Ter doze filhos ou mais, se o primeiro tiver nascido depois de 1980.

- Falar demais. Desperdiçar palavras é crime. Pense demais, escreva demais, mas quando for falar, escolha apenas o que merece ser dito.

- Tentar mostrar dignidade em todas as ocasiões. Isso mesmo, nem sempre é preciso manter a postura altiva de um lorde inglês. É perfeitamente aceitável fazer dancinhas e pentear o cabelo em forma de moicano, gargalhar relinchando ou botar meias coloridas com mocassim bicolor. Se as ocorrências forem raríssimas, você pode até angariar alguma simpatia por seu comportamento “espirituoso”.

- Ignorar a passagem do tempo. É bom ter um memento mori por perto; um ex-marido embaraçoso para as mulheres, fotos de corpo inteiro recentes para os homens, itens colecionáveis da sua infância. Isso o fará lembrar sempre de que já não é mais uma criança e nem tudo lhe é permitido. E principalmente, o fará lembrar que o tempo não passa só para os outros.

- Ser esta pessoa:


- Usar frases feitas sem conteúdo. Me lembro de uma que li recentemente, algo como “Cultura é assim, vida no sentido mais amplo da palavra” ou coisa que o valha. Há outras: “Mas tudo bem, enfim, entretanto...”, “Antes de tudo, primeiramente eu gostaria de parabenizar (ou homenagear, ou citar, ou felicitar) Fulano” – quando o indivíduo começa com isso, você sabe que é hora de se retirar. Especialmente se tiver acabado de chegar e logo de cara ouvir algo assim. Caso contrário terá câimbras atrás das orelhas (é onde o tédio se instala com mais vigor).

- Sentir-se embaraçado pelo que você é. Não precisa, meu caro, os outros já ficam suficientemente embaraçados pelo que você é. Porte-se com orgulho. Não seja um pateta que não sabe onde enfiar os pés quando entra num recinto. Se aquelas pessoas têm coragem de estar ali e de existir, por que você não? Ser humano é vexatório sempre, mas convenhamos, você não é pior que ninguém. E se for, isso é problema seu. Morrer de vergonha diante dos outros é dever dinheiro para eles. Ou deveria ser, dá no mesmo.

- Levar sua mãe junto em sua Lua de Mel.

Pronto! Agora que você já sabe de tudo isso, queira por favor utilizar as informações e não simplesmente dar uma de presidente do Senado.

Quarta-feira, Junho 03, 2009

O aborígene do outro mundo

Quando eu era criança, pensava que era de outro planeta. Desconfiava de todo mundo. Queria saber que forma as pessoas tinham quando eu não estava perto. Achava que era de Júpiter, ou de Vênus (nunca me ocorreu ser de Saturno, Mercúrio, Plutão. Só de Júpiter ou de Vênus).
Achava que queriam fazer experiências comigo, do tipo, não faço idéia. Crianças não elaboram muito suas cismas, simplesmente imaginam algo de horrendo e deixam os detalhes para o acaso. Eu confiava mais nas formigas, ratos, cachorros e pintinhos que havia no sítio da minha avó, onde passávamos as férias, que nas pessoas.
Às vezes eu acordava e fingia que ainda estava dormindo, só para ver se algum dos terráqueos mostrava sua verdadeira face por distração.
Pensava que minha mãe e meu pai tinham tentáculos marrons e pareciam árvores, mas moles e visguentas. E que usavam disfarces como aqueles do filme "Cocoon". Aliás, todo mundo era assim, na minha imaginação. Pensando hoje, seria muito mais fácil eles me disfarçarem que disfarçar toda a humanidade só para me enganar, mas e daí? Eu achava que era assim.
Às vezes eu esquecia que todo mundo era alienígena e gostava das pessoas. Mas geralmente eu preferia os livros e os bichos. Estranhamente, eles também gostavam de mim; decerto sabiam que eu não sou daqui, não sei.
Passei um bom tempo acreditando firmemente dessa ilusão. Quando eu ia ao médico, queria ver todas as radiografias, em busca de quê, eu não sei. Mas provavelmente quando visse a prova eu ia tomar a radiografia das mãos do médico e gritar “ahá!”, só que isso nunca aconteceu.
Como eu ia muito ao dentista e meus irmãos não iam tanto, eu achava que era porque eu era ET. ETs vão muito ao dentista, porque não podem viver na Terra. Aqui tudo dá errado. (Eu usava aparelho)
Fazia fofoca com os gatos, cães e maritacas nas férias, e durante o ano letivo detestava todo mundo. Sério. Não é de hoje que sou assim. Eu achava todo mundo feio (até hoje tenho essa tendência). E os professores, todos monstros disfarçados, eram meus principais algozes. Nunca fui nenhuma maravilha na escola, nem em educação artística, única matéria de que gostava até a adolescência.
Minhas preocupações, quando eu era pequena, não se pareciam nada com as preocupações das outras crianças. Eu me preocupava com aviões e ônibus espaciais, com satélites (que eu achava que eram tripulados por observadores que ficavam lá no céu nos espiando), com astronomia (que para mim, se resumia a olhar por telescópios). Chorei com a explosão da Challerger, queria ser como o cara de “2001: Uma odisséia no espaço” (aquele que fica correndo em círculos na nave e fica de cabeça para baixo). Me preocupava com as crateras da Lua.
Também me interessava por moda, mas isso não tem nada a ver com essa história de extraterrestre.


Lar, doce lar

O filme mais chocante que vi quando era pequena foi “O enigma de outro mundo”, porque nele, alienígenas tomavam o lugar das pessoas e eu, sendo de uma terceira espécie, não tinha como saber quem era alien bonzinho ou quem era alien malvado. Depois, assisti “Alien, o oitavo passageiro” e tive a certeza de que o mundo estava infestado de alienígenas e só os humanos tolos não percebiam.
Passei a ler compulsivamente e ver filmes, porque a minha melhor amiga era uma terráquea tola e eu tinha pouca consideração por sua inteligência. E o resto do mundo tinha pouca consideração por minha existência, então não tinha muitas alternativas.
Depois cresci e deixei de achar que era extraterrestre e que todos eram monstros horríveis. Estudei, trabalhei, namorei, tudo com entusiasmo. Fiquei até famosa, popular, as pessoas me achavam o máximo da excentricidade, me adoravam. Eu correspondia, adorava elas também, nossa, que maravilha.
Aí eu cresci mais e hoje, matutando, cheguei à conclusão que sim, estava tudo certo. Sim, eu sou extraterrestre. Sim, as formigas e calangos são mais confiáveis que as pessoas. Sim, o mundo é habitado por monstros! Sim, as pessoas são diferentes quando não estou olhando. Sim, a Terra está infestada de aliens e de criaturas que não pertencem a este mundo! Algumas, inofensivas e bocós como eu, outras iguaizinhas àqueles d’O enigma de outro mundo.
E apesar dessa constatação, apesar das evidências que se esfregam lascivamente no meu nariz, apesar de toda a obviedade desse segredo público, eu não faço nada. Eu sei, e daí? Ó minha cara de preocupação, ó. Não vou fazer nada. Dedurar, botar videozinho no Youtube, mandar spam com texto cheio de erros ortográficos, acusando os Estados Unidos esconder isso de todos? Eu não. Provavelmente vou ali na papelaria comprar um bloco de papel e quando chegar em casa, vou desenhar umas árvores, girafas e girassóis. Depois vou dormir. E não vou só fingir, para desmascarar algum monstro distraído.

Quarta-feira, Maio 13, 2009

Complicados de plantão, ouvi:

Gosto das coisas simples.
Não me canso de repetir isso porque as pessoas tendem sempre a procurar ser “sofisticadas” ou “complexas”. Para mim gente complexa é gente problemática.
Eu gosto do simples. O simples nem sempre é o normal, e eu não gosto do que seja muito normal. Coisas normais geralmente são mais complicadas; o normal é comum, e comum é vulgar, e vulgar é brega. Mas as coisas simples não precisam ser normais, podem ser simplesmente... simples.
Perguntas como “Você prefere azul ou amarelo?” para mim exigem resposta objetiva. Ou então, “Viro à direita ou sigo em frente?”
Infelizmente, algumas pessoas respondem que não é “bem assim”, ou “não é só isso”, ou “não seja tão simplista”.
Hoje, por exemplo, eu comi salada de frutas. Para mim já é uma sobremesa completa e saborosa. Mas a pessoa que me acompanhava pediu três complementos. Isso totaliza nove sabores diferentes numa única porção.
Agora imagine-se ao chegar num bar e pedir nove bebidas diferentes. Ou ir a um restaurante e comer nove tipos de comida.
Desnecessário, confuso, excessivo. Não apenas pela quantidade, mas pela impossibilidade de apreciar inteiramente todos os sabores. E não vou detalhar aqui aromas, texturas e outras complicações porque seria exagero.
Pois bem, eu mudei de função na empresa. Alguns dizem que subi de cargo, outros dizem que desci de cargo. Alguns dizem que é um trabalho intelectualmente difícil, e outros dizem que é um serviço braçal. Uns afirmam que tudo modou, outros dizem que só mudou o andar do prédio. Alguns alegam que é algo complexo e minuncioso. Outros, que é um servicinho de corno.
Para mim a definição é simples: continuo ganhando o mesmo.
Não fico o dia inteiro batendo carimbos, mas também não é nada tão difícil que eu precise traduzir manuais alemães.
Detesto quando as pessoas se aproximam de mim para saber quão revolucionária foi esta mudança na minha vida, se consigo dormir, se ainda como as mesmas coisas, se meus gatos ainda têm os mesmos nomes.
Aliás, detesto que as pessoas se aproximem de mim por qualquer motivo, já que tenho trinta anos de experiência em ser abordada por cretinos para tratar dos assuntos mais idiotas e irrelevantes.
Por que será que todos presumem que me importo com os detalhes que eles insistem em ver na “vida”? Sim, porque achar que “vida” é um empreguinho mediano, repetitivo e não-essencial, bom, então haja aspas para referir à vida dessas pessoas.
Geralmente quando me vêm com esses questionamentos mesquinhos, estou muito mais interessada em olhar os telhados das casas contra o céu, observar um passarinho numa árvore, rir de algo politicamente incorreto, desenhar alguma bobagem num papel velho, apreciar o silêncio ou pensar.
Coisas que poucas pessoas hoje fazem, coisas que caíram de moda, coisas de velho. Tradições que minha família me ensinou, mas hoje não existe mais esse negócio de família dar educação, as coisas já não são tão simples, não é bem assim, este é um assunto complexo.
Então, para dar uma resposta bem complexa e extravagante sobre o que acho da tremenda mudança no meu trabalho, escrevi esse texto. Porém, se você preferir uma resposta direta, aí está:


Eu, atarefadíssima.

Domingo, Abril 19, 2009

Donald, Where's Your Trousers?

(words and music Traditional)

I just down from the Isle of Skye
I'm no very big but I'm awful shy
All the lassies shout as I walk by,
"Donald, Where's Your Trousers?"

Let the wind blow high and the wind blow low
Through the streets in my kilt I go
All the lassies cry, "Hello!
Donald, where's your trousers?"

I went to a fancy ball
It was slippery in the hall
I was afeared that I may fall
Because I nay had on trousers

I went down to London town
To have a little fun in the underground
All the Ladies turned their heads around, saying,
"Donald, where's your trousers?"

The lassies love me every one
But they must catch me if they can
You canna put the breeks on a highland man, saying,
"Donald, where's your trousers?"

Legal, né? Vi ontem em The Sarah Connor Chronicles. Assistam a esse trecho aqui.

Quarta-feira, Abril 15, 2009

Sobre o refinamento

Hoje li um comentário besta a respeito do refinamento cultural, vulgo gosto literário. A pessoa argumentava que buscava o refinamento lendo coisas que ninguém lê, porque o que todo mundo lê é vulgar e comum e um gosto requintado exige que se leia obras exclusivas.
Nada mais tolo.
Essa ânsia de ter o que ninguém mais tem e fazer o que ninguém mais faz não é refinamento e sim uma tentativa mesquinha de parecer excêntrico. As pessoas acham que ser excêntrico é ser inteligentíssimo, artista, especial.
Faz tanto sentido quanto parar de comer banana, que todo mundo come, e passar a comer pilhas, que nunca vi ninguém comer.
A banana não é considerada refinada porque é democrática, é raro alguém que não goste, e quase todo mundo come. Isso não lhe diminui o sabor. O fato de ser apreciada por muita gente não a torna automaticamente ruim.
Do mesmo modo, é tolo que um moleque vaidoso determine que ler coisas que ninguém mais lê seja um sinal de requinte e bom-gosto literário. No máximo, indica que o leitor é paciente, e tem muito tempo livre para fuçar prateleiras em busca de livros desconhecidos.
Eu acredito na tradição. Nos clássicos. Nos autores reconhecidos, que são lidos e apreciados por séculos. Livros que são quase uma unanimidade. Digo quase porque, óbvio, ninguém é obrigado a gostar só porque quem veio antes gostou. Mas se têm sido aplaudidos por tanto tempo e por tantas pessoas, claro que têm seu mérito.
Existem, sem dúvida, os excentriquinhos por princípio, que na falta de algo em que se destacar, resolvem zombar das obras consagradas. Não é raro encontrar alguém que faça duras críticas a Chesterton, por exemplo, pelo simples gosto de ser diferente, porque se tanta gente gosta de Chesterton, algo de mau deve ter.
Conheci, por exemplo, uma mocinha muito inteligente que criticava com ódio a obra de Kafka. Ela, uma lourinha do segundo ano de Comunicações, achava Kafka raso, chato e espalhafatoso. Com todo o direito, claro. Mas no caso dela, era determinante. Ela se gabava de achar Kafka raso. Ela fazia disso um estandarte. “Vejam, sou inteligente e refinada, desprezo um autor consagrado!”
Eu nem gosto muito de Kafka, e mesmo que fosse outro, tanto faz. O que me espanta é a falácia de alguém que provavelmente nem lê aquilo que desaprova, mas que quer parecer evoluído e pensante por expor seus gostos tão sofisticados na forma de críticas peremptórias.
O requinte da leitura está no prazer, e não na exclusividade. Eu bem que gostaria que mais pessoas lessem o que eu mesma leio, para nos divertirmos comentando, sarcasticamente ou não, passagens do mesmo livro.
Será que demora para essa gentinha pretensiosa entender que refinamento não é exclusivismo? Que autores famosos e até aclamados não o são por acaso?
Mas assim corre-se o risco de cair em best-sellers, dizem vocês. Se alguém aceita ler o que os outros lêem, daqui a uns dias andarão por aí com Danielle Steel debaixo do braço.
Sobre isso, duas considerações: se o leitor não sabe discernir entre um bom autor que é reconhecido, e um mau autor que é muito vendido, então para ele não fará diferença. Deixe-o ler qualquer porcaria porque pra ele é tudo a mesma coisa. Mas se ele reconhece, depois de ter lido, que um livro é bom ou mau, então foi proveitoso. E se por algum motivo, ele tem prazer em ler Danielle Steel, qual o dano? É vergonhoso admitir que gosta, mas não é vergonhoso gostar?
A esses molequinhos enfezados que separam as pessoas pela raridade dos livros lidos, um aviso: um dia, constrangido, você vai se olhar no espelho e ver um velho rabugento, que passou a vida toda lendo o que os outros não liam, e vai ter que admitir que isso nunca lhe deu prazer. Vai desejar ter lido Machado e Twain como todo mundo, e já não terá mais tempo, mwahahaha.
Agora vá ali para o canto e pense bem sobre o que é literatura, seu pobrinho. E solta esse livro de Shüman Herstal, que esse autor nem sequer existe.

Segunda-feira, Abril 13, 2009

Domingo de Páscoa

Ontem à noite estava bebendo vinho em companhia da minha gata Picky e, por algum motivo, resolvi fazer uma dancinha dos tempos de colegial (lá se vão... poucos anos, na verdade).
Infelizmente, no sábado eu havia enfiado o pé num buraco e machucado terrivelmente o dedão, que no momento da dança ainda estava inchado. Estimulada pelo vinho, arrisquei uns passos de Emhê (pronuncia-se como “emê", mas quando for falar o M, você põe um palmo de língua pra fora) e acabei agravando o ferimento.
Não sei por que tanta disposição, visto que havia acabado de ler O Corvo pela enésima vez neste fim de semana, e passei a Páscoa longe dos meus. E além disso, vi no Discovery uma reportagem nojenta e horrorosa que me recuso a comentar, exceto para dizer que era nojenta e horrorosa, e ainda o faço com engulhos.
Daí a beber um Bordeaux foi um pulo, com a desculpa da comemoração da Páscoa e o incentivo da Picky, que não me deixou comprar outro. Para fazer valer cada gota, decidi ficar alegre.
Minha alegria durou até bastante, mas fui para a frente da televisão e me deparei com o Fantástico, um programa lúgubre e infame que tem o poder de drenar minhas forças e me deixar prostrada de desespero e impotência perante a existência do Zeca Camargo. Esse erro terrível me custou caro. Não demorou muito, outros gatos da casa vieram exigir sua ração de carinho, e fui soterrada sob montanhas de pêlos e prrrrrr.
Não pude abandonar a sala, nem desligar a TV, nem parar de pentear e fazer carinho nos gatos, nem parar de beber vinho, e algo me fez querer dançar e deu no que deu.
Vim trabalhar mancando.

Sexta-feira, Abril 03, 2009

Enjoei de gente

Ah, quando eu tiver um tempinho, preciso declarar guerra. Sabe? Isso aqui está um tédio. E toda essa gente aí (chacoalhando a mão com desprezo) merece guerra.
Não sei ainda o que vou alegar, alegar o quê? Sei lá, insatisfação? Isso justifica guerra? Podia alegar que são perigosos.
Infelizmente a guerra é uma coisa suja, e eu ando muito sem tempo por causa de um bonsai de sequóia que resolvi de fazer.
Mas essa idéia não me sai da cabeça, chego a sonhar com bazucas e lança-mísseis, e, pérola da obviedade, Die Walküre ao fundo enquanto bombas explodem em câmera lenta. É tão romântico.

Eu e minha gata Picky gostamos de programas de televisão que mostrem repórteres visitando os lugares mais esdrúxulos do mundo, como Abecásia, República Gabonesa ou o Alto Carabaque com o intuito de comer grilos e dançar mamushka. Ela acha chiquérrimo comer grilos.
Sonhamos fazer um passeio desses, montadas em lhamas ou ornitorrincos. Depois disso, um chá bem civilizado e bum! Mandamos tudo pelos ares com a bazuca. Fale a verdade: a idéia é ótima.

Também gostaria de dirigir um trator de esteiras, não sei por quê. Imagine subirmos (eu e a Picky) montes de pedras, empurrando toras de madeira com o tal trator. Depois, uma pausa para um chocolate e bum! Explodimos tudo com a bazuca.

Sabe, há certa beleza na destruição, quando é feita por gosto e com vontade. Mas nem sempre torço pelos malvados. E nem sempre destruir é maldade. Oh, com que bondade eu mandaria pelos ares a América do Sul e toda a Oceania! Com que nobres intenções eu serraria a Ásia e atearia fogo, tendo apenas o cuidado de resgatar os pandas e outros bichos cute, antes de ver tudo arder alegremente, iluminando a noite.
Nada pessoal contra ninguém de lá, longe de mim! Não se trata de preconceito e sim de sensatez. Adiante, eu colocaria toda a população da Europa numa nave com destino a Júpiter, onde teriam muito mais espaço, se é que me entendem. Cada um poderia ter um terreno do tamanho da Terra e ainda sobraria planeta. Por fim, abriríamos mão de Jupíter e o chutaríamos para fora do nosso sistema solar. Depois, os americanos. Ouvi falar de uma estrela recém-descoberta fora da nova Galáxia que é o novo Lower East Side. Podíamos mandá-los para lá. Aí, a explodiríamos com um foguete.

Quando tudo melhorasse e houvesse mais espaço na Terra, o preço dos aluguéis cairia muito e haveria bens de sobra para os endividados. Se bem que essa gente ingrata logo reclamaria que a ajuda não é lá essas coisas, que precisavam de mais, que sentiam falta de gente... e bum! Mandaríamos tudo pelos ares.

Quinta-feira, Março 19, 2009

Delishas belly

Delishas belly cercada de muito verde (delishas belly não é o nome do cachorro, é o nome da barriguinha dele).

Achei essa foto por aí e quis pegar ela pra mim. E num tremendo acesso de altruísmo, resolvi compartilhar minha descoberta.
Delishas belly pra vocês também.

Terça-feira, Março 10, 2009

Fim de férias

Então finalmente começa o ano no Brasil, ou ao menos na Bahia, se é que começa o ano, porque logo já se emendam as festas de final de ano e ninguém tem mais tempo pra nada.
Cheguei das férias e por isso já não tenho o menor ânimo, tudo se tornou ruim e sórdido.
Fiquei nove dias de férias, quatro deles dentro de um carro, e mais metade de um num ônibus (que injustiça, no ônibus foram somente quatro horas - mas que me custaram o dia, porque tive que tomar um remédio para dormir e não ver que estava no ônibus).
O restante, gastei dormindo e comprando livros, e isso foi revigorante e alegre. Nem tomo conhecimento dos toiços que teimam em brotar à roda da cintura, não sei bem por que (ignoro que o incremento da quantidade de calorias e a redução do exercício sejam causas plausíveis para esse fenômeno).
Minha sentença é cretina, minha condenação, severa, meu veredicto, errado, minha acusação, injusta, e meu crime é bem pequenininho (ter nascido no interior não configura agravante).
Somos do mesmo planeta, e nem parece!? Meus coleguinhas locais me detestam, e mais ainda ao meu filtro solar FPS 50 e ao meu chapeuzinho (quase saiu um chapèuzinho, fazer o quê?). Tenho tanta ginga quanto uma ânfora de alabastro cheia de licor de tâmaras.
Claro que os palanques e arquibancadas já estão sendo erguidos para a próxima festança: lá para Abril, longínquo e distante Abril. Que horas são?
Por sorte trouxe um livro (um não, vários) longo e vagamente tedioso, mas também esplêndido. Em poucos dias acaba a festa e com ela, o livro, e nem sequer tomarei o remédio do ônibus.
A Chapada Diamantina é linda, mas não, não foi ela que visitei: fui ver as capivaras paulistas, que eu gosto. À Chapada irei quando tiver um tempinho, que ela está aqui por perto e, se nunca fugiu, não é agora que o fará. Dizem que os fenícios rabiscaram uns negócios nela, um dia tenho que ver de perto. Fenícios, meu bem.
Se bem que por todo lado aqui em volta tem rabiscos de todas as etnias, e não me interesso por eles, especialmente os que dizem “seja bemvindos” e “buchada na promosão”.
De qualquer modo conheci Sauípe, uma praia que tem areia e adiante um mar, e onde a entrada é proibida para curiosos e gente farofeira (houve alguns lapsos). Estava bom lá, os animais são bastante comunicativos. Já as pessoas, não sei.
Esse texto resume tudo sem seqüência nem critério, de modo que não faz sentido. Só agora percebi e é tarde para corrigir. Muito tarde.
Ontem me chateei muito, alguém já leu “A pequena sereia”? Triste, triste. Tão triste quanto a reforma ortográfica. Não consigo me conformar. Sério. Sou apegada aos bens materiais (acentos diferenciais, tremas, e outros acessórios). Já são meses nessa angústia.
Mas voltando ao assunto, estou de volta das férias. Deixe-me trabalhar, por favor. E vá trabalhar também.

Você não vai me ver na foto, pois havia sacis nesses matos e eu preferi passar a tarde na livraria.

Domingo, Fevereiro 08, 2009

Dia de diva

Primeiro, ele tem que se explicar à polícia por ter agredido a própria mãe.
Depois, ele agride um colega de trabalho durante a gravação de uma cena. Não que o colega não estivesse errado - afinal, se fosse com você, provavelmente você também se irritaria.
Mas daí a berrar feito louco por quase quatro minutos... hmmm. Até a mãe dele achou que ele exagerou.
Depois, vieram as desculpas. Ele admite que passou da conta.
E mesmo, assim, o pessoal não perdoa, como você pode ouvir aqui e aqui. Quase morri de rir com a musiquinha.
Alguém pensou em 10 maneiras de eliminá-lo (ou ao seu alter-ego).
Teve até colega de profissão se manifestando em defesa do astro.
De qualquer maneira, ele ainda é e será sempre o muso inspirador do Girassol Falante. Lindo, inteligente, competente, lindo, engraçado, talentoso, concentrado, versátil, lindo, dedicado, lindo. Um amontoado de qualidades que nem essa boca suja do !@#$%&* consegue obliterar.

Brinde: I'm too sexy.