quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Badá Skyline

Longas pegadas me levam pra longe desse lugar.
Olho o horizonte e já não reconheço, sinto sono e a caminhada tarda. Vejo tremulando sob o calor a natureza-morta, a natureza viva, a natureza humana que me acena com um doce ou outro atrativo qualquer.
A natureza humana, toda torta e indefinida, que me ama, e aumenta, e sofre, fazendo sofrer.
Olho para a distância e espero calada, porque aqui onde está minha alma, meu corpo se encaixa e fico imóvel. Quantas loucuras cometerei em silêncio até que seja o Fim?
Procuro um oásis e encontro: encolho-me no colo do meu amor que me dá água e aconchego. Sinto-me sóbria, mas estranha. Tudo aqui é excessivamente igual a tudo, todas as cores cinzentas, todas os charcos e lamaçais, todos os desertos e salinas, toda a seca e a chuva cristalina... me esmurram e me deixam tonta de tanto procurar um meio ou caminho certo.
Ouço o pássaro que me sobrevoa, ouço e rio com seu chamado: meu corpo não se sustenta por muito tempo fora d'água. Volto-me para o deserto e canto, e meu canto é triste como o de milênios atrás. Meu coração arde em chamas, e aquece minhas sombras cativas. Abro os braços e envolvo minha rocha, minha rocha é comigo, me acompanha. E ouve meu canto.
Estamos acostumados à presença constante de nós mesmos. Mas o céu é longe e o sertão é perto.
Ouço o trote do cavalo e percebo que é chegada a hora. Levanto-me, sacudo o pó do meu vestido, tenho que ir. A estrada é turbulenta, existem muitos bandidos à espreita. Mas a viagem é certa. Insana. Não sei o que tenho que fazer, mas faço.
Minha vida é como um blues sob a chuva.

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