sexta-feira, maio 19, 2006

Eusébio

Eusébio acordou mais cedo. Estava calor e ele tinha fome.
Eusébio buscava a vida, mas tinha medo.
Amava Cíntia, colega de classe, na faculdade.
Eusébio tinha vergonha de falar com ela. Cíntia era linda. Usava aparelho nos dentes e óculos, era mais alta que ele e carregava muitos livros. Era, portanto, inteligente.
Eusébio era fraco e tolo. Os amigos zombavam de seu físico. Os professores o repreendiam por não saber se expor. A mãe lhe dava conselhos disparatados.
Eusébio achava-se feio. Olhou-se longamente mais uma vez no espelho, e ficou constrangido. Ajeitou a franja e os óculos. Sentiu-se mal naquela blusa.
Eusébio não ouvia música nem lia revistas pornô. Ele tinha vergonha.
Um dia, passeava tranquilamente entre as colunas da ponte. Olhava os carros e a fumaça, pensando em Cíntia.
Cíntia já o havia cumprimentado uma vez, e sorriu.
Eusébio sentiu um aperto doloroso na garganta. Parou de andar e olhou para baixo: os carros corriam raivosamente lá embaixo.
Atirou-se.
Seu corpo caiu todo torto entre as rodas de um caminhão.
Não morreu.
Hoje Eusébio é um novo homem.
Mandou Cíntia para a puta que pariu. Quebrou o nariz de um colega de classe que o ofendia sempre.
Hoje Eusébio ouve música e também dança. Acessa sites de adultos e bebe cerveja.
As mulheres telefonam, mas ele não quer conversar.
Ele quer sexo. Eusébio está curado.

Um comentário:

A Mente da Mulher disse...

Coitado do Eusébio...

Mas, um dia ele aprende... a viver no meio termo.

Beijos!