sábado, junho 10, 2006

Um pequeno pesadelo

- Olá, senhora branca. Chegou cedo hoje. Da outra vez que nos vimos, esperei muito tempo.
- Estive praticando esporte. Não vê que estou suada? Vim correndo.
- Está linda. E seu irmão?
- Está onde sempre esteve, em lugar nenhum, e no lugar dele. Por que me chamou? Acha que chegou sua hora?
- Ninguém aprecia sua beleza sem provar da dor, não é? Preciso da sua ajuda.
- Não sou quem se chama quando se pensa em salvar-se. Diga-me o que quer, tenho trabalho a fazer. Há tantas almas mortas e inconscientes...
- Não vou tomar seu tempo, fique tranquila. Só preciso da sua ajuda para buscar alguém que foi tomado por engano. É um menino.
- Não seja ridículo, a única coisa certa é que não me engano. Quer o menino para quê?
- Precisamos de gente boa no mundo. Ele ia me salvar.
- Ia, é? Mas parece que não vai mais. Se vira com o resto do mundo.
- Não posso. O pobrezinho tinha que continuar. Se não, isso aqui vai virar um caos. E não quero pedir ajudar àquele esnobe outra vez.
- Se eu trouxer ele de volta, vai ser por uma tarde só. Depois ele volta pras sombras. Vai ser como um pesadelo.
- Está bem, Morte. Uma tarde é suficiente.

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