sábado, julho 01, 2006

πατριωτισμός

O espírito esportivo. Magro, feio e dolorido.
Ele vem chegando e se infiltra, anêmico, no nosso corpinho encharcado de chopp, e logo começamos a ficar irracionais.
Nada de bola, nem de gol.
Muito menos de solidariedade.
Patriotismo? E quem aqui está falando de pátria?
Como tolos romanos, nos encantamos diante dos gládios e saltitamos como lebres ao som dos apitos ensurdecedores.
Mortos revivem, surdos passam a ouvir, cegos ganham visão apurada.
Não falo do físico, obviamente.
É uma onda de calor inumano, uma coisa forte e primitiva que nos une como moscas sobre o doce.
Não é bem um espetáculo, também. Não é belo, nem sublime. Não há solenidade.
Choramos como pierrôs desiludidos diante de um passe malfeito. E rimos como palhaços diante de um berro qualquer de gol.
Mas não é o gol que atrai. É o quê? A festa? Não, esta é conseqüência. É a vitória? Não, esta é a última coisa que acontece. É a expectativa? Não, esta nos tornaria arredios, obscuros. É a bola?
Não sabemos do que se trata, mas nos engasga, nos atola, nos eletriza, nos morde.
E ficamos tolos.
Esquecemos a maldade, a vingança. Esquecemos também da justiça. Nunca nos lembraríamos de um torto, um triste, um mal-curado. O mal-alimentado também não importa.
Nossos líderes não assistem a jogos, não tomam parte nessa luta.
Cavam seus túneis, exploram as cavernas. Grandes casas de dinheiro são saqueadas.
Lembramos que hoje houve dor, mas não sabemos o que houve ontem.
E do que haverá em Outubro, alguém lembrará?
Sim, na hora de reclamar. A culpa é do "povo".
Nunca é minha, nem sua. É do povo.
Eu não sei o que fiz da última vez que pude escolher minha história, que pude escolher meu líder. Mas lembro de quando o Brasil chorou.
Não foi nenhuma boa alma que se foi, mas uma bola que não entrou.
Esquecemos nossa grande área de usarmos nossas forças ao entrarmos na área pequena, minúscula.
Quem nos guiará à vitória?
Não sabemos, nem nos lembraremos quando tiver vindo a derrota.
Mas saberemos do jogo, dos estampidos, da graça.
Que marcação!
Hoje é a nova liberdade, ou derrota. Mas o barco segue, nas ondas incertas, e ninguém está lá para guiá-lo.
Vergonha. Mas só hoje.
Amanhã nos lembrarão das proezas e ficaremos contentes com nossa esperteza.
E todo dia citarão nosso nome, olhando de soslaio e sorrindo ironicamente, mas quem se importará quando a Pátria for à frente?
O importante é ser bom, ou não, o importante é não pensar no assunto.
Nos conformamos com o Belo, o belo sperficial, a redoma, o ego, o restrito.
O resto é povão, e o que acontece de mau é culpa do povão.
A Pátria que se dane.

Um comentário:

Yasmin disse...

Bom mesmo o seu blog. Seu post intitulado "Amor", uau... Mandou bem.

Quanto À Copa, não é pela festa, nem pela vitória, nem por todos os prováveis motivos que você mesmo descartou. É necessidade de se sentir parte de algo que é bom em algum sentido. E só.

Não sei como cheguei aqui, mas é certo que volte.