quarta-feira, agosto 30, 2006

Votar em quem?

Cabeças de bagre, alienados, desgovernados. Marionetes.
Gentinha sem qualidade distribuindo carteiradas e babando nervosamente: - Você sabe com quem tá falando?
Povinho acomodado, assistindo a novela, latinha na mão, recalcado, preguiçoso, injusto e desorganizado.
- Isso é uma cambada de ladrão! Esses cara tinha tudo que ir preso!
Mas o desgraçado aceita "10 Real" pra botar outro na sua frente na fila do posto de saúde.
Nojo e vergonha, e não me coloco acima de ninguém.
Apenas lamento estar no mesmo saco que esta nação pobre, paupérrima, piolhenta, feia. Não falo de dinheiro.
E aqui no velho-oeste brasileiro, os coronés ainda dão sumiço em quem questiona muito.
- Vota em mim que batizo teu filho.
E pensar que, na Islândia, o povo está indignado com a conduta de seus políticos (julgados pelos próprios habitantes em 97% de honestos).
Sim, os políticos daqui são semi-analfabetos, aceitam propina, são mentirosos, burros, mau-caráter, vira-casaca, arrogantes e indolentes.
Mas isso não é o retrato do próprio povo que os elegeu? Não? Em que país você vive?
Porque nesse país o povo é tão orgulhosamente estúpido, sacana, vagabundo, relaxado e pobre de espírito, que nem dá para tentar levar esse circo a sério. O político sai do povo. Antes de ser político, ele era "cidadão". Como eu, como você, como nossos parentes e vizinhos. E se tornaram bestas, pervertidos, safados, bandidos. Ou talvez já tivessem tudo isso dentro de si e só aguardassem a oportunidade de mostrar a cara impunemente. Todo mundo faz, por que não vou fazer? É o brasileiro-padrão.
E vem você com essa conversinha de "povo alegre e trabalhador". Ora, faça-me o favor!
Se você conhece um ou outro indivíduo alegre, ou trabalhador, parabéns para você. Eu também conheço um uns poucos, mas são exceções.
Os que lutam para estudar são motivo de chacota. Bom é ter o "diproma". Os honestos viram piada nas rodinhas de bar. Os limpinhos, caridosos, educados, esses despertam desconfiança no povão.
Aqui, o sujeito não precisa ser bandido profissional, basta ter a chance. Um minuto só. Uma tentaçãozinha mínima. Porque é mais fácil que trabalhar. Porque todo mundo faz. Porque ninguém vai saber. Porque aqui é assim, é o jeitinho brasileiro.
Até para votar existe o maldito jeitinho. O voto aqui é obrigatório, porque senão os preguiçosos nem tentar iriam. Iam ficar em casa, a bunda criando calo, e falando mal dos políticos, do sistema, das eleições, assim como falaram mal do Zagallo e do Parreira, e do Ronaldinho.
Mas por estes, são capazes de protestar; por si próprios, não.

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