sábado, setembro 23, 2006

O Horror

Essa tarde aproveitei para dormir, e não sei por que cargas d'água, tive um horrível pesadelo.
Não devia haver pesadelos, ó Sandman maquiavélico.
Pois nesse, eu estava dentro do filme Amarelo Manga, e foi péssimo.
Além de (no sonho) a história se passar nos anos 70, na zona rural, eu estava no México e lá só havia brasileiros. Todos bandidos. Eu era um molequinho de 8 anos envolvido com a bandidagem (porém em certos momentos eu era uma linda morena com uma queda por bandidos). Whatever.
No sonho, eu estava num prédio de dois ou três andares, que parecia um celeiro, mas era um prédio residencial. Um dos bandidos era um antigo colega de trabalho meu, famoso por ser paspalho. Ele estava lá embaixo, na rua, no meio de uma boiada que cruzava o caminho, segurando estupidamente uma pistola (dessas modernas) e me olhando, como se me perguntasse "atiro ou não atiro?", ao que respondi (somente em pensamento) algo como "vá e seja feliz" ou "fuja e vá viver a vida", algum cliché hediondo assim.
Então, olhei para a parede à minha frente e eis que, senhores, estava pintada de amarelo. Não qualquer amarelo, mas um amarelo MANGA, pintura recente, etc. E o resto do prédio era amarelo-limão.
Tinha também um gatinho preto; não lembro se andava por ali ou no telhado, mas estava lá. Só queria citá-lo porque gosto de gatos.
Não entendo por que essa obsessão por frutas para desingar cores (manga, limão, cereja, tomate, framboesa, e palha, que não é fruta, mas vocês entenderam), mas de qualquer maneira, o horror de tudo é que achei a parede tão extremamente cafona (nessa hora eu era o menininho) que desmaiei.
Logo depois, eu corria pela estrada por onde havia ido a boiada, e o filme termina assim, com o molequinho indo embora e os créditos subindo.
E eu na platéia do cinema, me levantando, aquele vulto escuro contra a tela.
Acordei desesperada, indignada e com a sensação de breguice ainda impregnada em mim.
E o pior foi a recordação desse meu colega, que não vejo há anos e de que nunca queria ter me lembrado, porque era um bocó. Podia ter desperdiçado sonho com Gianecchini ou Jude Law, mas não.
Sonhar com filme brasileiro é uma das experiências mais tristes por que pode passar uma pessoa de bem. E esse, especificamente este, me dá saudades da repressão, pela qual não passei, mas ouço falar constantemente - por maus diretores que querem fazer filmes com gente burra, pobre, feia e de mau caráter.
Que pesadelo! Vou alugar Casablanca e depois passar o resto da noite lendo Dumas. E sonhar com alguma passagem bíblica interessante, espero.

Um comentário:

Helder disse...

Tem pior. Há duas noites Paulo Betti apareceu no meu sonho falando sobre o sentido da vida. Ainda não me recuperei do pesadelo.