quarta-feira, novembro 01, 2006

Desespero

Eu sei, eu sei. Não é fácil.
Não adianta rasgar a roupa e rolar no chão se debatendo. Levante-se.
Também não resolve arrancar o cabelo com pinça, devolva isso no lugar. Pronto.
Mais calmo agora?
Passou?
Seus olhos estão inchados pelo choro convulsivo. Seus lábios estão rachados, sua boca seca de tanto gritar.
E de que adiantou tanto sofrimento?
Olhe só pra você! Nem parece a mesma pessoa.
Quanto rebaixamento, quanta deselegância.
Se está assim agora, como estará no final? Não, não.
Levante-se novamente, mas que coisa.
Agora vamos tentar relaxar e esquecer isso, tome um copo d’água, tome um banho morno e vamos sair para espairecer.
Não é o fim do mundo, também, não acha? Hã? Não é assim, o que pode acontecer de tão mal assim?
Solte isso, venha cá. Olhe para mim. Assim, assim, não chore. Veja, o dia lá fora está lindo, vamos abrir a janela. Viu? Que vento maravilhoso!
Agora, vou providenciar um suco enquanto você toma banho. Vamos dar uma volta.
Coloque aquela blusa vermelha.... não, não, não, não chore... está tudo bem, coloque outra, tudo bem? Assim.
Vou ficar de olho. Você precisa começar a aceitar isso, afinal, essa é a sua realidade, a minha. É a vida. E de mais a mais, são só mais quatro anos, depois acaba. Quem aguentou até aqui, aguentará mais esses.

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