sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Literatura inútil

A literatura deveria ser uma coisa boa em nossas vidas. Mas nem sempre é.
Estive pensando hoje, a poesia é uma coisa muito triste. Triste, não no sentido melacólico da coisa, mas no sentido funesto.
Ser poeta é ser um pessimista chato que fala gemendo e nos traz dor. Em geral, a poesia é regada a lágrimas, sangue e mel, quando não tem outros fluidos e líquidos estranhos, normalmente derivados de amores desfeitos ou incompreendidos.
Claro que existem uns poucos poemas que não são uma gemeção sem fim; estes são feitos de cólera, dúvida ou admiração. Mas é raro.
Especialmente os poemas rimados escritos por mulheres, quanta lamúria!
Bom, eu sei que sou mulher, mas isso não me faz gostar de choradeiras sem fim.
Alguns são tão penosos que quando se chega ao fim, tem-se a impressão que se vai sair flutuando, plúmbea e sorumbaticamente, pela sala.
Eu não gosto de longos poemas de amor e lamento ter escontrado vários enfiados em narrativas extremamente agradáveis; acho que os autores acharam ser este o único meio de fazê-los ser lidos.
As narrativas em rima e métrica, muitas vezes, são chatas e cheias de pormenores, a fim de buscar o máximo de advérbios que rimem entre si.
Somente uns poucos poetas épicos de antes de Cristo souberam fazer poesia de bom gosto. Com rima e tudo.
A prosa, entretanto, por ser mais fácil, é mais vulgar.
Qualquer zé ruela se sente no direito de ser chamado de escritor, apenas porque contou uma historinha tonta em meia dúzia de linhas. Por isso é que, quando vejo uma prosa bem escrita, dou graças a Deus e alardeio feito louca.
Todo o resto é bagatela (o que os professores da faculdade tentam convencer você que existe). Não existe nada daquilo. Quando vêm com métricas exóticas e estilos bisonhos (concreto, cubista, etc.) lembre-se de que isso é coisa de quem não sabe ou não tem o que escrever.
Ninguém que tenha assunto fica escrevendo "bo-li-nha.. bo! linha... blnh, oa - inha" etc.
E no entanto a gente vê por aí, poesia concreta absurda e outros rodeios sem sentido.
Se não há conteúdo, não há mensagem, poxa vida.
Um poema, se for cheio de suspiros, rimas e floreios, deve ao menos ter um bom assunto e boas razões para ser feito assim, ou merece a forca (ou a fogueira, sorry).
E se seus professores vierem azucriná-lo com lamúrias e bolinhas, mande-os lamber sabão.

2 comentários:

Anônimo disse...

como é que uma coisa pode flutuar plumbeamente?

Badá Rock disse...

Me pegou. Pra você ver os danos que a má literatura pode nos causar. Não me lembro por que escrevi isso, vou escrever outra coisa que o contradiga ainda hoje.