quarta-feira, maio 16, 2007

Incultura musical, porém com bom-gosto

Eu detesto música para intelectual. Aquelas músicas bizarras, sabe, que apenas uns “iluminados” entendem e que ficam a cantar em transe, acompanhando a música com movimentos de pêndulo que fazem com o corpo. Em qualquer barzinho ou festa chic, lá está um deles, com o copo de uísque na mão, sentado no braço da poltrona, balançando para os lados e cantanto nhã-nhã-nhã.
Sou uma ignorante. Não entendo essas músicas, não fazem sentido para mim. Ed Motta, Céu, Fernanda Abreu, Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Lenini. Musiquinhas para gente in, gente on, gente over. Letras desconjuntadas que não me remetem a nada e batidas guturais que qualquer porco-do-mato ou ariranha com um violão na mão seriam capazes de fazer, na selva.
Sim, sou uma caipira, eu gosto de ouvir coisas que façam sentido. Ontem mesmo ouvi Nirvana e pensei, “se isso não fosse tão bom, seria inaceitável. As letras não fazem sentido”.
E olha que é Nirvana, minha ignorância é tanta que cheguei até a pensar na possíbilidade de não gostar, se não fosse tão bom.
É que sou da moda antiga, do tempo em que intelectuais faziam música, em vez de ficar gemendo e fazendo cara de dor no palco. Sabe? Criatividade.
Na profundeza da minha limitação cultural, chego a gostar de música clássica. Porque é bom de se ouvir. Como não sei nada da teoria da música, só posso julgar por um único parâmetro: Se gosto ou não gosto. Se ouço e não me doem as orelhas, considero bom. Se tenho impulsos de ir embora, é ruim. Falo por mim, achem o que quiserem.
Gosto de músicos que cantam e tocam música, sem pretensões de parecerem espertinhos, mas fazendo algo agradável de se ouvir. Vivaldi, Rolando Boldrim, Smashing Pumpkins, Cazuza, Beethoven, Christian & Ralf, Black Sabbath, System of a Down, mais uns ou outros que despretensiosamente foram ou são bons (ou são ruins, mas são perfeccionistas e implicantes).
Aquele senhor, o Gilberto lá, ministro não sei de quê; não gosto das músicas dele. Me parecem coisa de gente à toa e tagarela. É isso, são prolixas, ficam no tralálá iêiêiê ticumdum, e a batucadinha brasileira que não sai disso - e por fim não agrada. Não diz nada nem agrada. Se ao menos fosse muito bom, seria aceitável.
É que muitos jovens de franjinha e lápis preto nos olhos vêm me dizer que a música é transcedental, e que tenho que apanhar o espírito que une o som à alma que o ouve. Quase vomitei quando ouvi isso, embora talvez possa ser verdade. Porque quando ouço Mozart, gosto - não capto mensagens ocultas, não conto as notas, não busco erros, apenas fico enlevada. Mas é Mozart, não é um carioca de banjo na mão gemendo à meia-luz.
E agora me vem um serzinho de um metro e meio, feições símias e andar animalesco, dizer que se não aprecio (ele disse “se não curte”) a nossa música (minha é que não é) – se não curte a nossa música é porque não sabe nada de cultura, é uma burguesinha pobre que lambe as botas (ele falou outra coisa) dos americanos e do Bush, e não valoriza a “nossa” arte. Dito isso, virou as costas e saiu gingando para os lados, cantarolando alegremente “...mama África, a minha mããããe, é mãe solteira...
De repente, soube por que não gosto dessas músicas, e ainda encontrei a resposta para uma angustiante pergunta que o System Of a Down vem fazendo há tempos e também me intrigava: - Why do they always send the poor?

3 comentários:

A Mente da Mulher disse...

Eu também gosto das músicas porque gosto. Ou do ritmo ou da letra ou de tanto ouvir.
Gosto de Bach e praticamente só Bach dos Clássicos. Gosto de musiquinha de elevador, de bolero, de Skank. Gosto até do Papo de Jacaré porque me traz boas recordações.
Gosto do que me agrada e não do que querem que eu goste.
E sou sim uma burguesinha, fã dos EUA, mas não do Bush. E isso tem lá alguma coisa com o meu gosto musical????

Larissa Bohnenberger disse...

Bom... eu não ter um gosto musical mais diferente de você... mas da mesma maneira que você descreveu, gosto de uma música por que gosto!
Gosto de Gil e Caetano, mas não por uma cultura musical qualquer e baboseiras do gênero! Gosto porque gosto! Ouço e me agrada! Simples assim! Isso temos em comum!

A.Badaró disse...

Que puta texto, pelamor! Expressa exatamente o que penso também. Soçarba! ;*