sábado, junho 16, 2007

Palavras burlescas


Há palavras que foram inventadas por gente obviamente mal intencionada. Ou por bufões e trocistas que acham graça em ver a gente toda pronunciando absurdos para seu próprio júbilo.
Não sei de onde tiram radicais, prefixos e outras bagatelas tão cabeludas.
Algumas eu acho cômicas, outras um completo despautério.
Por exemplo, a palavra miscelânea. O que lhe vem à mente ao lê-la? Coisas do mar, é claro. Imagine um prato de Miscelâneas à Doré com batata e alecrim. Ou uma fritada de miscelâneas com purê e brócolis cozido. É evidente que miscelânea é um negócio marinho, alaranjado e com cheiro de marisco.
E zabumba? De onde tiraram isso? Zabumba é uma palavra tão bizarra, cacofônica e vesga que não tem como não rir diante do disparate. Zabumbas são coisas gordas, fofas, de cores berrantes e que fazem um barulho fanho e inesperado. É só isso. Não existe outra zabumba, somente essa que descrevi. Zabumbas só existem no mundo da fantasia e brotam sozinhas, do ar, e somente existem para fazer cenário às aventuras de jovens mosqueteiros. Mais nada. Não pode existir, num mundo sensato e real, um objeto prestável e coerente com um nome desses.
Rocambole é outra coisa que foi inventada por um traquinas espírito de porco que queria obrigar os outros a comer palavrões. Está claro que rocambole é um estilo literário e de artes plásticas caracterizado pelo excesso de adjetivos, pelas tramas complicadas, pelas formas rechonchudas e pela cor dourada. Não tem nada a ver com rococó, que é um nome popular de cachorros vira-lata.
Também me lembra a patuscada, que é um prato típico de Minas Gerais que, ao contrário do que se pensa, não é feito com patos, mas com abobrinhas e aspargos e servidos com largas porções de bródio, para formar a combinação perfeita. Isso quando não se serve junto com a folgança, que é também uma receita muito conhecida do interior e é, precisamente, preparada com gansa. Tem um leve sabor de foie gras, daí a semelhança fonética. Engana-se redondamente quem pensa que estas palavras são, na verdade, sinônimos de "brincadeira". Essa patranha deve ser contradita pelo bem da culinária caipira, que é a mais apetitosa que existe.
Também fico estupefata com palavras que visam caluniar as pessoas, como moribundo. Isso é não mais que um jeito de falar mal de alguém que estava prestes a finar-se, sem com isso parecer danado.
O assunto é sério e peço que, por obséquio, cada um comece a usar os vocábulos com mais probidade, sem parecer afetado ou mentecapto, e também evitando imbróglios semânticos e de cunho estroboscópico.

5 comentários:

Caio disse...

Vernáculos deveras estrambóticos,

Badá Rock disse...

De fato, vernáculo é um órgão do sistema respirátório, existem dois, o vernáculo esquerdo e o vernáculo direito. A cirurgia nesses delicados órgãos é muito complicada.

Gustavo Brito disse...

- verdade.
até porque há situações de uso impróprio que me deixa deveras sorumbático.

Gustavo disse...

Fora as palavras que simplesmente não existem de verdade, como "qüiproquó", mas que as pessoas usam mesmo assim.

Larissa Bohnenberger disse...

Tô passando só pra dizer que você recebeu lá no meu blog uma indicação à premiação "7 maravilhas da blogosfera".