sábado, julho 07, 2007

Eu sou feliz assim

Este post deveria ter alguma razão, mas como ocorre com vergonhosa freqüência, não tenho a menor idéia do que ia escrever aqui. Como leva tempo entre botar a senha e a janelinha abrir, a idéia evanesceu e fico aqui com cara de idiota sem saber o que escrever.
Não é tão raro assim eu ficar com cara de idiota, mas felizmente na maioria das vezes, o faço de propósito.
Há uma certa beleza no nonsense. Em parecer cretino quando na verdade o cretino é o outro. Talvez seja isso que chamam de cinismo, você rindo-se por dentro do apatetado interlocutor que acha que você é um trouxa. Na verdade os dois são trouxas e pensam que enganam um ao outro.
Mas toda a graça do negócio é você ter consciência de que não é assim tão tolo quanto o outro pensa, mas finge ser, para ver até que ponto ele embarca em sua loucura, entregando assim o jogo de que o idiota é ele.
Faço isso o tempo todo e não é todo mundo que morde a isca, claro, mas alguns são engraçadíssimos a sério.
Também gosto muito de falar as mais ridículas abobrinhas, porque me fazem rir, e sou mais importante que os outros, por isso o que me faz rir é o que importa e não o que o outro espera ouvir de mim (falo isso subconscientemente, porque minha consciência me diz que todos somos iguais perante Deus e a Justiça).
Não há nenhum objetivo quando falo tolices de propósito, além de agradar a mim mesma. Com sorte, acabo agradando a mais alguém, e todos rimos felizes, o que faz meu ego saltitar como um gay na Sacks.
Mas quando o outro não compreende a razão do nonsense (de que não há razão no nonsense) simplesmente olho longamente para a pessoa com um misto de piedade e nojo, e costumo ser complacente às vezes, porque também eu não rio das bobagens alheias a toda hora.
O bom é que falar asneiras é um exercício, e com o passar dos anos elas vão se refinando e se tornando quase um alter-ego, que lhe dá inúmeras possibilidades de se safar de situações difíceis sem precisar correr para o banheiro e ficar seis horas trancado chorando. Basta disparar um absurdo e olhar cinicamente para o ouvinte, que ficará com cara de besta e/ou rirá do gracejo, fazendo todo o mundo à volta sorrir aliviado.
Imitar outras pessoas já é um passo mais adiantado do cinismo, porque é preciso permanecer sério o tempo todo para que faça o efeito desejado. Além disso, é um recurso atômico e só deve ser usado uma ou duas vezes na vida, exceto se você quiser ser conhecido com o palhaço que vive imitando os outros. Se a ocasião for bem escolhida, você será aclamado como a pessoa mais cínica e cruel do mundo, o que é bastante lisonjeiro, e todos parecerão caridosamente satisfeitos, de modo a agradá-lo para que nunca venham a ser alvo das suas caricaturas.
Estou explicando tudo isso porque quero que todos saibam que quase sempre há um motivo para os absurdos que digo, e que esse motivo normalmente é um deboche descontrolado, tanto dos outros como de mim mesma, e que muitas vezes isso me escapa do controle e é mais forte que eu.
Por isso é que falo tanta asneira.

Um comentário:

Lady Flame disse...

gente, eu adorei esse texto!
A parte do gay na Sacks foi FENOMENAL!
Eu posso usar essa desculpa tb?
É como eu sempre falo: o problema em ser irônico com os idiotas e que quem fica com cara de idiota é você.
MAS EU AMEI!!!

Gente, tá perfeito..rs

Beijos de Luz