sexta-feira, agosto 24, 2007

Celebridade reclusa

Não, não achei interessante, estou pensando nisso agora e não achei interessante. Nenhuma notícia é interessante.
Ora, não me chame de mau-humorada, é que simplesmente não agüento. Você viu?
Quem é que quer saber o que Fulaninha fez na noite de Sábado, quem foi embora com quem na noite de autógrafos de Tal, quem esteve presente na chatérrima festa de aniversário da colunista X, quem é que quer saber dessas coisas?
Ah, não use isso como argumento, não tem nada a ver com o porquê de eu ter vindo parar aqui.
Sim, pode chamar de excesso de sensatez. Isso mesmo, o que você acha que é?
Bom, pelo menos aqui tenho visto coisas muito mais importantes.
Exemplo? Tá: a grama que plantamos no Sábado já está com um centímetro de altura. E verde. E as bromélias do canteiro esquerdo já estão florescendo, e você disse que não dariam flores.
Como assim, “não é importante”? Então o quê é importante?
Ah, quer saber? Não sei pra quê você me liga.
Sim, eu estou melhor. Eu estou melhor, Mário, o quê mais você quer saber?
Não vou voltar, desista.
Porque minha carreira era chata, quem quer luzes e holofotes na sua cara o tempo todo?
Sim, e você já foi ao banheiro com uma turma de fotógrafos lhe perseguindo? É por isso mesmo, Mário. Isso basta.
Primeiro, ela não é minha amiga. Segundo, ela faz o que quiser da vida.
Mas e daí se não dá ibope, meu Deus?
Mário, tudo isso enche o saco, quer saber do que mais? Tem dois bem-te-vis naquela casinha que eu fiz ontem, acho que eles gostaram. Daqui dá pra ver.
Pintei, pintei dois. São muito grandes para o meu quarto, acho que vou pôr na sala. Você manda buscar?
Deixem publicar, Mário, deixem publicar. Já não quero mais a fama e aqui estou segura.
Sei, mas quem precisa do dinheiro não sou eu. Você está lutando em causa própria. Acha que vou lhe sustentar de novo?
Pro meu bem uma ova, sei que você está duro. E aqui eu sou um bem jogado fora. Se quiser, eu deixo você tirar uma foto. Mas uma só.
Venda por quanto quiser, não me interessa. Você se esquece que não me interessa. Estou bem aqui, por isso pensam mal de mim.
Mas eu sou, eu sou. Eu sei que você acha que sou. E me quer aí do mesmo jeito. Por isso eu digo que acha. Não volto mais praí nem morrendo.
Tiraram alguns, mas ainda tomo dois. A cada duas horas. Mário, você acha que vou ter que tomar pra sempre?
Eu sei que não, mas se eu disser isso, eles me mandarão embora!
Meu amigo, eu não quero voltar pra casa. Nem quero ser estrela de coisa nenhuma. Se quer saber, nunca fui tão feliz antes de vir pro hospício. E agora com licença que está na hora do meu banho de sol. Tchau.

Um comentário:

Larissa Bohnenberger disse...

Ahahahahahah!
Muito bom!