sexta-feira, outubro 05, 2007

A maldição do olho aberto

Desde que voltei de SP estou com depressão profunda e tendências suicidas, homicidas, fratricidas, infanticidas e inseticidas. Não só por ter visto muito mais koleanos do que quando eu estive lá da última vez. Tive o infortúnio de ler Viagens de Gulliver no dia imediato à minha chegada, e agora estou aversa aos Yahoos daqui, inclusive eu mesma.
A comparação dos Yahoos com os animais de outras espécies (aqui os cachorros de rua são gente muito boa) e principalmente com os Yahoos paulistas, me fez ver que o mundo está perdido mesmo e que devo me encerrar numa jaula com meus gatos e esquecer do resto.
Claro que seria muito mais proveitoso para a humanidade se eu fosse logo para uma ilha deserta, mas desde 1980 não existem mais ilhas desertas, tantos casais fugiram pra elas para viver um amor à moda da Lagoa Azul e nunca mais conseguiram voltar, por falta de linhas aéreas e táxis que os auxiliassem na sua fuga. Mais de 78% dos casais se arrependeram nas primeiras 24 horas, e os restantes nas duas horas seguintes, mas as ilhas jamais foram desocupadas e cá estou presa ao convívio dos execráveis Yahoos de Feira de Santana (não mais nem menos execráveis que qualquer outro Yahoo do hemisfério sul).
Notei com horror que gosto muito de leitura, inclusive até trouxe uns livros da viagem, e isso me amuou ainda mais porque em nossa sociedade esse vício é bastante condenado. Dominada pela amargura, fiquei dois dias sem pentear o cabelo, o que resultou num agravamento da minha aparência humana e me fez pensar em por que ainda não acabou o mundo, por quê?
Ontem saí da clausura para comer uma pizza frita e qual não foi minha surpresa ao ser importunada por um belo menino bem nutrido e asseado, me pedindo esmola. Tão canalha, que me deu vontade de ali mesmo aplicar-lhe uma boa surra para aprender a ter vergonha na cara, que não se mendiga a menos que se esteja morrendo de fome. Se um menino de dez anos interrompe as brincadeiras com os amigos para mendigar, quando adolescente interromperá os estudos para roubar, e quando adulto interromperá os assaltos para matar, e por aí vai. Maldita raça acomodada, vixe.
Mas voltando ao assunto, acabei tão desacoroçoada com a penúria em que se encontra a mente humana, que pensei em me entregar aos piores vícios e imundícies, mas me diz, não é pior? Parece que sim, e por conseguinte, é isso mesmo que se deve fazer.
Ainda não cheguei ao ponto de remexer as cadeiras ao som de Babado Novo, mas já desci ao nível de quem lê Caras. Ah, não é pior, pensem bem. E só li três, até hoje. Mas já assisti ao triste espetáculo de gente nova e com uma vida inteira pela frente começar a dançar axé, um dia discretamente e no quarto, outro dia com o som no último e na varanda de casa.
A decadência é acentuada por cores descombinadas, ruídos de tambor e “joga a mãozinha pra cima”, o que comprova que os excessivos nascimentos carnavalinos são apenas uma das inúmeras consequências nefastas da rebolação para a vida em sociedade.
A importação de diversos itens koleanos, em especial crianças cabeçudinhas, pode indicar que logo teremos um rebanho populacional misto de pessoas que comem cachorro e que batucam pagode.
A elite, a nata da sociedade, não será composta mais de gente que escova os dentes e consegue falar “problema”, mas sim dos que sobreviverem à sua própria presença, com ou sem diproma de qualquer profissão, que não será exercida, por excesso de pressão da sociedade capitalista e burguesa (os americanos).
Os americanos são desculpa para as más ações e tendências criminosas, e entende-se melhor o quanto estão certos em tudo quando se passeia pelas ruas de uma cidade qualquer do interior do Estado, seja qual for o Estado, desde que dentro da América Latina.
Para exercer minhas novas tendências políticas adquiridas na viagem (vontade de matar o “povo” e tudo o que ele representa), fui capaz de violência e extrema grosseria contra um bom e justo webdesigner, o que me custou todas as unhas roídas e os olhos inchados de arrependimento. Não porque o que fiz foi muito mau ou patético, é que ele não era brasileiro. Foi mal, I’m sorry.
Hoje começarei um livro russo; quem sabe a vista de um povo russo redima em meu coração essa gente besta de quem eu não gosto. Não falo dos russos: tenho secretas esperanças que um dia eu perdoe os brasileiros, mas desde que não me toquem nem falem comigo, e nem ousem chegar muito perto.

Um comentário:

dickinson disse...

pow minha cara, eu particularmente adorei,acho que não deve jamais largar a escrita,pois não são todos que tem esse dom,deixo esta humilde mensagem pra você"vá em frente".