segunda-feira, novembro 12, 2007

Todo intelectual é burro, todo burro é intelectual

Você não é especial. Não tem nada demais, não é mais bonito nem feio que qualquer outro como você – e há muitos como você. É apenas um menino chato que insiste em ser estrela e faz birra; ninguém gosta de você.
O menino chatinho de narizinho vermelho, risinho sarcástico, mãos frágeis e caspento. Uma estrelinha cadente que ninguém quer ver passar.
Só serve para ser, assim, vizinho, ou no máximo, colega de classe. Daqueles anti-sociais que apontam o dedo para todo mundo e adoram falar em voz alta os erros na prova do colega. Portanto você, menino chatinho, é desprezado, e não odiado.
“Queria muito ser odiado, mas não consigo!”
Porque seu problema é se achar o máximo quando você é o mínimo, chatinho. É querer ser a onda quando você é um molusco, fedido e desbotado como qualquer molusco morto boiando na onda. Ivertebrado.
Os rapazes conversam animadamente sobre qualquer coisa, e chega o mal-amado, apontando e fungando:
“- Você está com uma gravata listrada! Não combina com essa camisa! E você é feio, não devia usar armação vermelha! E você, eu sei que já leu Cervantes, mas por acaso entendeu? Hein? Hein?”
E não poupa perdigotos.
Entretanto vivemos, às vezes sem conseguir desviar, mas sempre mantemos distância da estrelinha afoita, que deseja brilhar à custa de rebaixar o brilho alheio, por ser ele menos cintilante, ou menos ácido, ou menos corrosivo que o seu.
“Para mim todo mundo é burro. Sou desagradável? E você? Hein, hein? Olha que eu te guspo! Olha que te xingo de bicha!”
Tudo bem, diva, já entendemos seu recadinho. Agora com licença, que estávamos conversando.

Um comentário:

OleSchmitt disse...

Ui!!!
Blog é catarse pura!!!
É como saco de areia de escritor!
E você mandou umas belas porradas, hein!

Há braços.