terça-feira, março 11, 2008

Ecologia

Sim, pode parecer chato, petista, feminista. Pode parecer coisa de desocupados, de gente tonta, de pobristas. Pode parecer piegas e até pode parecer coisa da Globo. Mas não é.
É tudo legítimo. Simples, prático e até pode ser estiloso.
Para colaborar sem perder a graciosidade, fiz uma extensa e profunda pesquisa (20 minutos diante do PC) sobre as maneiras de ser ecologicamente correto sem ser redondamente chato.
Sim, porque eu gosto de ser ecologicamente correta. Talvez seja apenas por desencargo de consciência, pois no fim das contas, o planeta já está arruinado mesmo. Seria como pendurar um Rafael na parede suja de um barraco da favela. Mas ainda assim, é um Rafael, vale a pena; um pouco de beleza para amenizar o resto.
Vou apenas sugerir coisas interessantes que podemos fazer, sem despregar nossos traseiros do sofá (ou quase), para poluir menos, parecer bonzinhos e ainda assim manter a pose.

- Pratos gourmet.
Comprar legumes exóticos importados da Ásia caiu de moda. Hoje, moderno mesmo é dar uma de Alex Atala e fazer pratos simples, gostosos e com igredientes moleza, como abóbora, limão, pimenta vermelha, polvilho, sei lá mais o quê. Tudo produzido aqui pertinho, sem agrotóxicos, sem longos transportes rodoviários, sem mafiosos atravessadores, sem transgênicos (ai, que medo dos transgênicos!). É possível achar essas receitas na Internet, e aí você já poupa o trabalho e o combustível de ir até a livraria comprar um receituário, e mais ainda, poupa umas árvores que seriam usadas para imprimir o livro. Então, copie as receitas e vá para a cozinha (a maioria delas é à prova de néscios).

- Sacolas de lona.
Até pouco tempo o povo lutava para pegar umas sacolas a mais no supermercado. Hoje isso ficou feio. Não adianta a desculpa de que vai usar para botar lixo, que não convence. Aquelas donas-de-casa que têm tique de guardar sacola terão que arranjar outra coisa pra colecionar.
Até as celebridades de Hollywood (bela aroba) andam por aí com sacolas de compras feitas de lona. Algumas têm frases engraçadinhas pintadas do lado, outras têm imagens grotescas de um planeta azul com árvore em cima, e outras cafonices. Eu sugiro que você arranje uma mais estilosa, que não seja um impecilho à convivência social. Porque eu jamais cumprimentaria algum amigo que portasse uma sacola de gnomo ou o que o valha. Aqui você encontra umas bem interessantes, e sem cara de discurso político.

- Energia solar.
Somente um tolo prefere desperdiçar dinheiro. Sim, porque por trás de todo o discursinho ecológico, há sempre um capitalista selvagem querendo ficar mais rico. Eu pelo menos quero ficar mais rica.
Aí pensei: energia solar é de graça, correto? Claro que requer alguns aparelhos e tal, mas depois de um tempo, o negócio se paga e continua funcionando, gerando energia para meus momentos de leitura, banhos demorados (ops!) e outras atividades em que eu queira desperdiçar eletricidade.
Aqui e aqui você encontra mais informações sobre isso. Depois me diga se não foi uma boa idéia.

- Fibras naturais.
Bom, aqui temos uma dica triplamente vantajosa: vamos economizar dinheiro, ajudar o planeta e ficar mais confortáveis.
É que agora é brega usar aquelas roupas super high-tech cheias de negócios sintéticos pendurados. E os couros e peles, bem... não são ilegais, mas há quem fique constrangido de botar uma raposinha no pescoço e sair por aí.
Por sorte, a moda está a favor dos believers e há um meio de andar elegante e ecologicamente correto: as fibras naturais.
Estilistas no mundo todo, mui especialmente a adorável Stella McCartney, resolveram esquecer as plumas e peles de onça, e investem tudo em tecidos e materiais cruelty-free. Para quem não sabe, cruelty-free são os produtos que não derivam de animais, e por isso são assim chamados (livres de crueldade).
E a moda ecologicamente correta agora está com tudo. Quando vejo as coleções de estilistas que ainda usam os materiais antigos, noto que o tempo deles realmente passou. As peles podem ser lindas, mas já não há nelas o glamour que havia antes. Só uma carinha de ranço e roupa herdada da avó.
Então, se deseja ser elegante e moderno, vá de linho, algodão, látex, palha, cânhamo e materiais do gênero.

- Leia as embalagens dos produtos.
Totalmente gratuito, embora requeira muita paciência e memória.
Nos rótulos dos produtos os fabricantes têm que listar tudo o que foi usado para produzi-lo. Sais, óleos, álcool, corantes e perfumes. Tanto os alimentos quanto os cosméticos e produtos de limpeza contêm ingredientes poluentes e produzidos em condições antiecológicas.
Aqui você encontra uma lista dos ingredientes tóxicos e prejudiciais à saúde; aqui, uma lista dos ingredientes de origem animal; e aqui uma lista dos produtos que não são testados em animais, e portanto são mais confiáveis. Sim, porque você não é rato, é? Ou será que a gente é bicho, baby?

- Tenha menos filhos.
Esta dica, além de ecológica, é aristocrática. Quer parecer donairoso e bem nascido? Tenha apenas um filho, no máximo dois (um casalzinho, como manda a tradição das famílias quatrocentonas).
Não há coisa mais suburbana e brega que ter uma creche inteira de filhos. Antigamente, a maioria morria mesmo, então era preciso procriar. Mas hoje, com tanta coisa para se fazer, e com tanta gente no mundo, é uma vergonha encher a casa de crianças.
Convenhamos: você quer ter sossego, quer ter sua casa, quer que seu dinheiro dê para alguma coisa, quer andar por aí com a cabeça erguida, e não com medo de algum credor o faça sofrer constrangimento.
E com a mania que as pessoas têm de dificultar tudo, ter um filho hoje é mais caro e mais complicado que ter um câncer. Sério. São inúmeros "no-no", inúmeras obrigações, milhões de euros indo pro ralo.
E mais que isso, poucos são os genes humanos que merecem ser passados adiante a todo custo. Então, você não TEM que se reproduzir. Ser mãe ou pai não é garantia de felicidade e respeitabilidade. É garantia de dor de cabeça.
Concordo que ter filho é coisa séria, e portanto deve haver uma rígida observação das melhores condições para tanto. Por isso mesmo, ninguém em sã consciência vai ter mais que dois filhos na vida.
Além de ser coisa de pobre, ter muitos filhos é ecologicamente incorreto e não faz parte dos sonhos de quem, como qualquer cidadão decente, deseja apreciar a vida e fazê-la valer a pena. Para reforçar o argumento, imagine seus filhos e netos, daqui a 50 anos, vivendo num mundo superpopuloso e feio, cheio de doenças, miséria e poluição. Ruim? Então não ajude a encher ainda mais o mundo de gente.
Os mais radicais, dândis e egocêntricos simplesmente aboliram os filhos de seus planos. Eu sou um deles.

- Não compre animais.
Pode parecer disparatado, já que ecochatinhos adoram animais, mas faz todo sentido: comprar animais é uma das coisas mais erradas que alguém pode fazer.
Quem compra animais é duplamente tolo e merece mesmo ser passado para trás. Primeiro, porque animal tem aos montes por aí, de raça, sem raça, feio, bonito, aleijadinho ou não, velho ou recém-nascido, para todos os gostos. De graça, assim, a rodo. É só pegar e levar pra casa. E ainda tem quem banque a castração, vacinas e acompanhamento; tudo isso para você ganhar um amigo.
Segundo, porque a grande maioria das pessoas que vendem animais são pistoleiros, criadores ilegais, que atuam sem registro ou controle de qualquer espécie.
Eles pegam um animal que você poderia ter adotado, cruzam com outro qualquer parecido, dizem que é de raça, e o incauto vai lá e compra - caro.
Essas pessoas são verdadeiros bandidos. Mantêm os bichos em gaiolas, forçando-os a dar crias sucessivas até sua morte por esgotamento.
Aí vai o burguesinho todo pimpão, pra mostrar que é preibói, e compra um rottweiler ou um akita, sem saber que está levando gato por lebre e que logo terá dor de cabeça. Ou a madame que leva pra casa a gatinha persa ou o periquitinho verde e logo descobre que (outra vez?!) fez papel de trouxa.
Se você quer mesmo um animal para lhe fazer companhia, proteção, guia de cegos, ou o que quer que seja, procure aqui e aqui ou pesquise no Google. E há muitos outros lugares onde você pode ir buscar, como os CCZ, canis públicos, lixão, praças, etc.

Há muitas outras coisas que podemos fazer para ajudar a poluir menos: todos aqueles clichês cor-de-rosa que a televisão nos enfia pelas narinas.
Separar o lixo reciclável, ir a pé para o trabalho (éh), plantar árvores, doar dinheiro para ongs, boicotar indústrias antiéticas, imprimir dos dois lados da folha, comer menos fora de casa, comer menos dentro de casa, comer menos sempre.
Essas coisas todo mundo sabe, e ninguém faz. Por isso resolvi listar as coisas mais fáceis de fazer, e ajudar os indecisos a começar logo com isso.
Há uma motivação bastante nobre da minha parte, porque não tenho filhos e pouco me afetará o estado do mundo depois que eu me for. Penso, portanto, no bem-estar dos vossos filhos, que nem sequer conheço.
Mas também há uma motivação bastante egoísta que é o fato de eu querer viver bem até o último dia, sem muitos problemas, sem muitas guerras, sem coisas ruins a me incomodar na velhice.
É assim pra todo mundo. Essa enorme barca furada tem 200 milhões de habitantes, a maioria completamente ignorante sobre o que seja "meio-ambiente" ou preservação. Querem mesmo é saber de carnaval e futebol.
Resta a nós, seres pensantes, fazer o que podemos e aliviar um pouco a carga da barca.

5 comentários:

ed disse...

muito bem. eu também procuro seguir esse caminho, mais por uma questão de boa educação que por qualquer outra coisa. a atitude politicamente correcta só fica mesmo chata quando você começa a falar MUITO do assunto, a fazer bravata, levantar bandeira, quebrar cias da Vale... por outro lado, com certo grau de sutileza, tudo vai bem.

abraço, moça.

Larissa Bohnenberger disse...

Adorei!
essa sua perquisa de 20 minutos rendeu, heim? Descobri coisas que não sabia... enfim!

Não me arrependo de ter comprado a minha filha (foi ela que nos escolheu), mas hoje, se quisesse outro cão não o compraria não, adotaria.

Bjs!

Alessandra disse...

Damn, eu tenho um post quase igual semi-pronto! Agora acho que não vou postar mais, vou só colocar o link para cá. Eu coloquei quase todas que estão aqui, mais a dica de manter os pneus calibrados e o porta-malas vazio (para gastar menos gasolina) e comer menos carne. Bom saber que mais alguém que não vende colarzinho no Embu pensa assim.

Badá Rock disse...

Alessandra, poste sim! Se o seu está mais completo...
Além disso, o seu blog é mais popular. E o negócio é que várias pessoas fiquem sabendo.

Alessandra disse...

Jisuis, nunca tinha pensado no meu blog (aliás, não-blog - porque ele não é não) como popular. Mas se você diz, eu acredito. Vou fazer o post e coloco um link para o original (este aqui). Deve demorar uns dias, porque eu sou preguiçosa.