segunda-feira, setembro 01, 2008

Meu louco preferido


Ontem assisti novamente a The Departed. Os Infiltrados, para quem gostar do nome.
É agradável ver novamente Jack Nicholson fazendo papel de louco. Este é seu papel recorrente e, convenhamos, ninguém faz melhor.
De todas as modalidades de loucura, a que ele faz melhor é agir como ele mesmo. Em Os Infiltrados, ele é tão ele mesmo que chega a ser constrangedor. Só faltava ele se chamar Jack Nicholson e ser ator de cinema, no filme. Mas não está muito longe disso.
Dos vários papéis que desempenhou no cinema, não consigo me lembrar de algum em que ele não fosse louco varrido - no mínimo excêntrico. É claro que não se faz filme sobre gente comum demais, porque para ver gente comum fazendo as patifarias comuns existem as novelas, e isso é asqueroso.
Os filmes são estimulantes justamente porque contam a história de algo extraordinário, e ser louco é extraordinário, especialmente como Jack Nicholson.
Sua atuação mais famosa como doido foi em O Iluminado, se bem que Melhor é Impossível é o melhor filme em que atua, sem dúvida. Em Easy Rider, o bom e velho bêbado - mas nenhum clichê dá certo com ele. É sempre um louco, distorcido, neurótico ou maníaco que vive no homem comum. Lobo, Coringa, Hoffa, Costello, quantos loucos este homem pode ser sem perder a identidade? Porque outros atores fazem o mesmo papel duas vezes e nunca mais se livram do estigma. O bonzinho, o sedutor, o burro, o violento. Isso acaba com a carreira do ator. Mas Nicholson pode, e aproveita. Ele ganha para ser insano e ninguém se cansa disso.
Não me lembro de ter visto alguma má atuação sua, talvez porque atuar para ele seja fácil, assim como eu tenho facilidade para... bom, assim como para mim é fácil fazer as coisas normais do dia-a-dia. Mas para ele é fácil fazer o que não é normal, e isso é empolgante. Faz dele um gênio, ou talvez apenas alguém mais interessante, e isso já é grande coisa num planeta com 7 bilhões de habitantes em que 6.999.990.000 são pessoas tediosas, comuns e insignificantes, que não deixarão sua marca no mundo e que morrerão sem deixar nada que valha a pena lembrar.
Que me lembre agora, ele só errou a mão em As Bruxas de Eastwick; não que sua atuação tenha sido ruim, mas o filme nunca devia ter sido escrito nem muito menos filmado. Se nunca viu, não veja e seja uma pessoa mais feliz.
Às vezes, tamanha é minha admiração, eu até gostaria de ser um pouco como Mr. Udell, o escritor amalucado de Melhor é Impossível. Mas logo volto à realidade ao lembrar que gente assim só é possível nas telas, ou talvez só seja interessante nas telas, e imagino quão intolerável deve ser conviver com o próprio Jack Nicholson.
Qual seu louco preferido interpretado por ele?

3 comentários:

O Bibliotecário disse...

Ainda não pude ver tudo o que ele fez, mas só pude mensurar toda a grandiosidade do talento de Nicholson quando ele me fez rir e chorar nas "Confissões de Schidmit", até então, para mim, ele era o cafajeste ofcial de Hollywood (o que não era pouco).

DIARIOS IONAH disse...

eu vi a bruxa de eastwick tres verzes e ADOREI!
alias tenho em casa o dvd , de vez em quandop gosto de reve-lo com as atrizes que ele contracenou que tbm sao lindas e maravilhosas.....
este filme eh o mais certeiro no conceito do que seja a TELEVISAO!
E eu nao entendi porque voce eh tao enfatica quanto a proibiçao de que outras pessoas o vejam....

DIARIOS IONAH disse...
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