quarta-feira, maio 13, 2009

Complicados de plantão, ouvi:

Gosto das coisas simples.
Não me canso de repetir isso porque as pessoas tendem sempre a procurar ser “sofisticadas” ou “complexas”. Para mim gente complexa é gente problemática.
Eu gosto do simples. O simples nem sempre é o normal, e eu não gosto do que seja muito normal. Coisas normais geralmente são mais complicadas; o normal é comum, e comum é vulgar, e vulgar é brega. Mas as coisas simples não precisam ser normais, podem ser simplesmente... simples.
Perguntas como “Você prefere azul ou amarelo?” para mim exigem resposta objetiva. Ou então, “Viro à direita ou sigo em frente?”
Infelizmente, algumas pessoas respondem que não é “bem assim”, ou “não é só isso”, ou “não seja tão simplista”.
Hoje, por exemplo, eu comi salada de frutas. Para mim já é uma sobremesa completa e saborosa. Mas a pessoa que me acompanhava pediu três complementos. Isso totaliza nove sabores diferentes numa única porção.
Agora imagine-se ao chegar num bar e pedir nove bebidas diferentes. Ou ir a um restaurante e comer nove tipos de comida.
Desnecessário, confuso, excessivo. Não apenas pela quantidade, mas pela impossibilidade de apreciar inteiramente todos os sabores. E não vou detalhar aqui aromas, texturas e outras complicações porque seria exagero.
Pois bem, eu mudei de função na empresa. Alguns dizem que subi de cargo, outros dizem que desci de cargo. Alguns dizem que é um trabalho intelectualmente difícil, e outros dizem que é um serviço braçal. Uns afirmam que tudo modou, outros dizem que só mudou o andar do prédio. Alguns alegam que é algo complexo e minuncioso. Outros, que é um servicinho de corno.
Para mim a definição é simples: continuo ganhando o mesmo.
Não fico o dia inteiro batendo carimbos, mas também não é nada tão difícil que eu precise traduzir manuais alemães.
Detesto quando as pessoas se aproximam de mim para saber quão revolucionária foi esta mudança na minha vida, se consigo dormir, se ainda como as mesmas coisas, se meus gatos ainda têm os mesmos nomes.
Aliás, detesto que as pessoas se aproximem de mim por qualquer motivo, já que tenho trinta anos de experiência em ser abordada por cretinos para tratar dos assuntos mais idiotas e irrelevantes.
Por que será que todos presumem que me importo com os detalhes que eles insistem em ver na “vida”? Sim, porque achar que “vida” é um empreguinho mediano, repetitivo e não-essencial, bom, então haja aspas para referir à vida dessas pessoas.
Geralmente quando me vêm com esses questionamentos mesquinhos, estou muito mais interessada em olhar os telhados das casas contra o céu, observar um passarinho numa árvore, rir de algo politicamente incorreto, desenhar alguma bobagem num papel velho, apreciar o silêncio ou pensar.
Coisas que poucas pessoas hoje fazem, coisas que caíram de moda, coisas de velho. Tradições que minha família me ensinou, mas hoje não existe mais esse negócio de família dar educação, as coisas já não são tão simples, não é bem assim, este é um assunto complexo.
Então, para dar uma resposta bem complexa e extravagante sobre o que acho da tremenda mudança no meu trabalho, escrevi esse texto. Porém, se você preferir uma resposta direta, aí está:


Eu, atarefadíssima.

Um comentário:

Sniffer disse...

Falou e disse, Badá.

Agora convenhamos que ser simples é a coisa mais complicada que existe.