sexta-feira, agosto 07, 2009

A saga da Cabana

Tirada do orkut - com pequenas correções -, onde fui registrando, dia-a-dia, as duras penas da leitura do best seller de W. P. Young. Repare no crescendo de indignação:

Dia 1: Enquanto isso, estou lendo "A Cabana" que uma amiga me cedeu. Eu já tinha encomendado este livro, mas estava em falta, e a vontade de lê-lo havia passado. Mas agora estou lendo.
É o típico livro fácil. História batida, tradução ruim, mas o enredo é comovente, um pouquinho piegas, mas bonito, daquele tipo que faz a gente se sentir ao lado da pessoa.
Além disso, é de ficção mas parece história real, e o público gosta de histórias reais emocionantes.
Provavelmente vai virar filme, porque é o tipo de história que moças sonhadoras e tios mais velhos gostam de assistir para depois ficar pregando grandes lições de sabedoria às crianças.

Dia 1, mais tarde: "Mackenzie, eu não sou masculino nem feminina, ainda que os dois gêneros derivem da minha natureza. Se eu escolho aparecer para você como homem ou mulher, é porque o amo."

Tá vendo? É duro não rir da ingenuidade de um "escritor" assim.
Parece aquele mocinho, autor do "A menina que roubava livros", com aquela Morte questionável narrando a história de maneira questionável (questionável para mim é sinônimo de idiota, mas não posso falar isso porque seria politicamente incorreto).

"Não sou quem você pensa, Mackenzie. Não preciso castigar as pessoas pelos pecados. O pecado é o próprio castigo, pois devora as pessoas por dentro. Meu objetivo não é castigar. Minha alegria é curar."

Francamente, com que intenção o autor escreveu um negócio desses? É abominável. Não dá para ler "A Cabana" sem aquela sensação de fraude e constrangimento que sempre acompanha a leitura de invenções inescrupulosas feitas para ganhar dinheiro.
Fico pensando em por que o povo fez tanto alarde por esse livro. Porque o autor inventou um deusinho de mentira à nossa imagem e semelhança, que atende a todas as nossas expectativas e só fala o que queremos ouvir? Prefiro comprar uma Barbie.

Dia 2: Esse livro só apela pra emotividade piegas. Do tipo que faz a gente querer chorar toda hora, sabe? As pessoas acham lindo chorar. Quanta vulgaridade.
Este é um dos piores, mais baratos e burlescos livros que já li na vida. E eu achava Paulo Coelho ruim.

Dia 2, mais tarde: O que estou terminando agora é "A Cabana", uma porcaria, cheio de clichês, tosco e mal escrito. Um livro politicamente-correto, de auto-ajuda e pseudo-religião, piegas, vulgar, redundante e cheio de "lições de moral" do tipo "eu sei mais sobre Deus que você, portanto faça o que eu digo". E a tradução é lamentável. Quem traduziu isso? Jogou no Google?
Nossa, que tremenda perda de tempo. Espero nunca mais ler algo tão barato e chinfrim como esse livro. Que pobreza. A arte nunca foi tão insultada.
Agora vou voltar à literatura de verdade. Pretendo começar "O idiota" de Dostoievski.

Comentário de uma amiga: “mas é impressão minha ou estamos numa fase péssima de livros?
não escuto nada sobre algum livro bom.
...
nenhum livro pra sacudir o mundo?
nada?”

Os escritores bons morreram todos e o pessoal não está com tempo para passar em sebos para garimpar. Acabamos só ouvindo falar desses escritores do século 21, uns bostinhas pretensiosos que reúnem clichês e frases-feitas numa caixinha e vão sorteando uma por uma qual vão pôr no livro.
Uma pobreza, uma pobreza. E pensar que no século XII já existiam escritores estupendos que até hoje vale a pena ler. Daqui a 50 anos, quem vai ler essas bobagens que publicam hoje a torto e a direito?

Dia 3: Acabei de ler "A Cabana", graças a Deus, e agora retorno ao mundo dos vivos.
Que livro péssimo. Típico roteiro-de-filme-para-fazer-a-cunhada-chorar-na-reunião-de-família.
Provavelmente será filmado em breve.
A tradução é um esculacho. O fim da história força a barra horrivelmente.
Deus deve estar gargalhando loucamente uma hora dessas, sobre como a visão de algumas pessoas sobre ele é limitada, burlesca, cafona, infeliz.
O livro tem seus méritos: deixa eu ver... não, não tem. Não tem mérito nenhum. A não ser que retratar Deus como os três patetas versão "século XXI" seja um mérito.

Spoiler: Deus é uma negona do Brooklin que gosta de música e é uma cozinheira de mão cheia (e que se chama Papai). Jesus é um carpinteiro limítrofe e narigudo, que reage a qualquer estímulo com um "risinho". E o Espírito Santo é uma chinesinha hiperativa que gosta de jardinagem, voa como nos filmes de kung-fu e troca de roupa a todo instante.

Se sair um filme, talvez eu até assista, vai passar na sessão da tarde e eu vou comer pipoca e chorar e achar graça dos atores lutando para emocionar o mundo com sua interpretação canastrona e piegas.
Agora vou retomar o livro que eu estava lendo, e a bem da verdade, "A Cabana" parece uma espécie de evangelho gnóstico escrito pelo Paulo Coelho junto com a prima gorda da Danielle Steel e um roteirista de séries infantis, durante uma tarde chuvosa, num casebre nas montanhas.

Dia 3, mais tade: Ah, esqueci. Olha só os comentários sobre “literatura” que tenho visto por aí:

“Leia O Menino do Pijama Listrado ou Para Sempre Alice. Os dois são ótimos.”

“E para quem gosta de aventura e suspense... A Sombra do Vento, é nota 10 !”

“O Vendedor de Sonhos de Augusto Cury valeu a pena ler porque me fez repensar bastante nos meus valores e modo de viver a vida.”

“Nossa leio tanto que nem sei o que estou lendo atualmente é UM BESTESELLER PRA CHAMAR DE MEU, mas amei a saga td de crepusculo, sushi dessa mesma autora do bestseller, adoro a escritora Nora Roberts.”

“Jogo do Namoro, da Danyelle Steel, ótimo, por sinal...”

“Excelentee, indico a todos :) A Cabana .. de Willian P. Young”

“...e agora vou ler "encontre Deus na cabana" esclarecimento do livro”

A literatura morreu? Ou só os leitores?

6 comentários:

Mariani disse...

Radical vocÊ, Não?
Bem...Particularmente apreciei bastante o livro. Não é a última maravilha realmente...mas é gostoso de se ler e da para tirar bastante coisa dele sim.

E ha..ótimo BLog ;D

Nutrição_e_Vida disse...

Amei seu blog. Concordo com vc a respeito do livro "A Cabana". Pseudo religião foi ótimo. Acho melhor as pessoas lerem a Bíblia, assim não vão cair no conto do vigárioe acreditar em toda a literatura por aí. Termino dizendo que este tipo de literatura é um desprestígio e nada tem a colaborar, a não ser criar confusão na cabeça dos menos desavisados. LEIAM A BÍBLIA...

Alex Voorhees disse...

Finalmente uma crítica inteligente sobre esse livro, concordo com tudo o que você disse, como se tivesse tirado as palavras da minha mente... O livro é péssimo, também prefiro os clichês do Paulo Coelho ou da Zibia Gaspareto do que essa bomba...

Pessoas com q.i. e senso crítico, passem longe...

Maria Celina disse...

Tô na dúvida sobre a questão "quem morreu, os leitores ou a literatura?"
Mas a coisa tá por aí, exemplificada nas "dicas" dos comentários.

Jota disse...

livro pra pessoas sensiveis... Ainda nao terminei, mas da pra tirar muita coisa boa dele. To adorando a história!

Ps. Mas os livros da Agatha são os melhores :)

Evandro Franco disse...

Sobre o livro a cabana. Leiam a página 25 do livro "Encontre Deus na cabana". " Então, Deus aparece como uma negra para lembrar a Mack que Ele é muito maior do que quaisquer ícones literários da Sagrada Escritura. O que quer que se possa dizer sobre Deus, qualquer que seja a imagem que se use para pensar n'Ele, Ele existe além dessas concepções." Simplificando Deus é tudo e pode ser e aparecer como quiser.