sábado, novembro 21, 2009

Cansei

Tadinhos dos judeus. Eles sofreram tanto. (Vamos esquecer tudo o que aconteceu antes da Segunda Guerra Mundial, ok?). Pois então, eles sofreram tanto. E sofreram, mesmo - sem sarcasmo. Não preciso explicar, porque crescemos sabendo dos horrores e etc. Tanto que hoje, qualquer coisa que não os mostre como os bonzinhos que sofreram muito, é imoral.
Quase acabaram com a carreira de Mel Gibson porque ele disse que os judeus mandaram matar Jesus (e criou imagens para isso em seu filme "A Paixão de Cristo"). Foi achincalhado, humilhado, tachado de doido e antissemita, acusado de nazismo e tudo mais.
Qualquer autor ou artista de qualquer segmento que fale de judeus como cidadãos, seres humanos, pessoas sujeitas a erros e acertos, é antissemita. Os judeus têm que ser venerados porque foram perseguidos e mortos aos milhares (e novamente peço por favor que esqueçamos tudo o que aconteceu durante toda a história da humanidade desde seus primórdios até antes da Segunda Guerra Mundial).
Pois bem, um filme, um filme apenas, virou motivo de ódio contra um artista que já era consagrado por sua brilhante carreira. "A Paixão de Cristo" é ruim porque diz que os judeus erraram, que foram temerários e que pediram a cabeça de um inocente. E ninguém pode dizer isso porque quem diz qualquer coisa não-ótima a respeito de judeus é tão mau quanto Hitler e merece uma morte dolorosa e horrível. E por falar em morte dolorosa e horrível, me lembrei de outro filme.
"Bastardos inglórios".
Neste filme, judeus executam outros homens de maneira horrível e dolorosa.

Mas tudo bem, né? Tadinhos, eles sofreram tanto. Eles não pediram para tirar esse filme de cartaz, como fizeram com "A Paixão de Cristo". Eles não acharam aquilo medonho e violento ao ponto de lhes revirar o estômago.
Ah sim, em "A Paixão de Cristo" o que revira o estômago não é a parte gráfica da coisa, mas sim um incômodo sentimento de não-perfeição que deixa os judeus numa situação difícil. Como foram lembrar disso?
Em "Bastardos inglórios" é diferente porque os judeus são os mocinhos. À moda de Tarantino, claro. Explodindo cabeças a pauladas e fazendo espirrar sangue a dezenas de metros em volta. Mas eles podem porque sofreram tanto. E as cabeças que eles arrebentam são de soldados nazistas.
Não estou defendendo os nazistas. Para mim, criminosos são criminosos e merecem punição pelos seus crimes. Devem ser julgados e, se condenados, devem pagar de maneira justa e pré-estipulada.
Mas tadinhos dos judeus. É melhor dar a eles uma desforra. Se mostrassem cariocas arrebentando cabeças a pauladas, seria o horror. Se mostrassem mórmons esmigalhando quaisquer outros homens, seria o fim dos tempos. O único grupo social que pode fazer isso são os judeus, porque, coitados, eles sofreram tanto. E afinal, no filme eles matam nazistas.
Quando alguém fala a palavra "palestinos" perto de algum judeu, nossa! Que indignação! Os judeus são bonzinhos, não são monstros! Jamais explodiriam crianças e mulheres acuados como animais selvagens! Judeus são as vítimas e não os algozes. Portanto, eles podem matar soldados em filmes e ninguém jamais vai dizer que as cenas são muito violentas, pois não há violência que baste para saciar a necessidade de vingança dos judeus. Eles podem aparecer nas telas destruindo pessoas quando essas pessoas são "más", porque os judeus são bonzinhos.
Em "A Paixão de Cristo" ninguém disse que todos os judeus concordaram com o que foi feito contra Jesus Cristo, ninguém disse que os judeus são maus, etc. Mas eles tomam as dores! Eles nunca podem ser mostrados como um povo que cometeu erros e até crimes!
Contra os nazistas a coisa é diferente, já que está na moda odiar Hitler (geralmente pessoas com baixo conhecimento de História e que nunca ouviram falar de nenhum outro genocídio).
A hipocrisia dessa situação toda para mim é indescritível. Por isso mesmo, optei apenas por citar os fatos. É isso que acontece. Mas me faltam palavras para dizer exatamente o quanto e como acho tudo isso absurdo. O quanto acho que os judeus são tão humanos quanto tutsis, índios, noruegueses, indianos, argentinos, esquimós e qualquer outro povo. O quanto acho injusto que um fato histórico patente seja contestado apenas porque não agrada, enquanto que uma obra de ficção violenta e repulsiva não seja contestada porque os mostra sob uma ótica de vítimas vingativas. Ou seja, mais vale uma mentira agradável que uma verdade nem tanto.
E no entanto, as pessoas nem os atacam quando se diz a verdade sobre eles. Eles só não querem e pronto.
Essa história toda de nazismo, holocausto e o que mais há, para mim é algo obscuro e que não deveria ser remexido. Ainda mais num filme bárbaro e descabido, escrito de forma absurda, ridícula e tendenciosa.
E o pior de tudo é que os envolvidos são justamente Tarantino e os judeus, que eu admirava muito, cada um à sua maneira. Agora acho-os vulgares, que não são inocentinhos nem melhores que ninguém.
Fica esse gosto ruim na boca, amargo, rançoso. Gosto de hipocrisia braba.

2 comentários:

luisaocs disse...

Ótima crônica badá que evidencia como a mídia -controlada por judeus- é extremamente parcial.

Ontem todos os canais fizeram um carnaval para mostrar as "minorias" protestando contra a presença de Mahmoud Ahmadinejad.

Mas vale a pena lembrar que semana passada, as TVs publicaram somente uma nota sobre os barulhentos protestos -pedindo que cessem a matança na faixa de Gaza- em São Paulo, no Rio e em Foz do Iguaçu por causa da visita de Shimon Perez.

Há muito tempo que tenho minhas ressalvas contra este protecionismo.

Abraços.

RAYMOND DE SÁ disse...

Confesso:me tornei teu fã!Divertida sem fazer gracinhas,utiliza a palavra como quem modela argila,com pitadas de acidez e ironia,fórmula inteligente!Forte abraço,e sempre muito sucesso!!!!