terça-feira, dezembro 07, 2010

Jazz night

No táxi abafado, reclino-me no banco traseiro para minha princesa cuidar dos meus ferimentos. A pelúcia dos bancos gruda nas minhas costas suadas, apesar do frio que faz lá fora.
- Cê precisa largar essas luta, George! - berra ela na minha cara enquanto tenta limpar o sangue da minha testa. Abbie é uma beleza. Está sempre ao meu lado. Mais algumas lutas e eu compro um anel para ela.
Fumo tranquilamente um charuto enquanto conto as notas, ainda com as bandagens nas mãos. O taxista é meu amigo, ele é cego de um olho e não liga de pegar negros. Abbie sempre vem com ele para as lutas, porque meu agente não arranja alguém para tratar de mim depois.
- Liga o rádio, Morton, vamos ver o que eles dizem.
- George, eles te crucificaram.
- Cê não vai beber uísque aqui dentro, né, querido? - berra Abbie, fazendo drama. Ela está feliz também. Hoje estamos todos felizes.
Era para ser uma luta limpa, mas meu agente ouviu que o branquelo estava drogado. Eu apenas dei o melhor de mim. Com o dinheiro de hoje vou poder passar um bom tempo fora dos ringues. Agora preciso esperar a poeira baixar. Essa cidade é grande e um homem sempre tem o que fazer por aqui.
(Da série: memórias de fatos que nunca ocorreram)

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