terça-feira, dezembro 07, 2010

Junayd e o destino

Cruzávamos o deserto à noite.
A caravana descansava num oásis a poucos quilômetros. Com crianças e velhos, os camelos precisavam se refazer para o dia.
Eu e mais seis homens íamos a cavalo. Sabíamos onde estava o grupo de Qismat. Tínhamos que emboscá-los antes das ruínas brancas ao norte.
Ansiávamos por cortar cabeças. Aqueles malditos salteadores enfrentariam um demônio. Mordi o lábio e cuspi na areia.
Ihab está cansado e ofegante, mas não posso parar agora. Nem há esconderijo próximo.
Meu irmão mais novo segue ao meu lado. Quer vingar nosso irmão mais velho. Eu não quero vingança. Quero apenas decapitar Qismat. Aquele que é grande e poderoso saberá me recompensar ou punir como mereço. Quero sentir o sangue quente borbulhar de sua garganta para minha cimitarra. Do bando todo, revem restar apenas dez ou onze homens. Estamos em grande vantagem.
Muitas noites passei sobre o lombo de Ihab neste deserto infinito. O vento frio refresca meu corpo e firma meu pulso direito. Meu corpo mal toca a sela, meus pés mal tocam os estribos. A escuridão me abraça. Sinto como se voasse. Muitas noites passei a cruzar estes campos de desolação para encontrar meu destino. O dia me sufoca e oprime, mas a noite me liberta. Confio no som do vento; meu cavalo tem olhos de coruja. Estamos sempre alerta.
Hoje escreverei meu nome na areia com o sangue do inimigo.
(Da série: memórias de fatos que nunca ocorreram)

Nenhum comentário: