sábado, dezembro 11, 2010

Tensão e expectativa

Havemos de derrotar a maior força do mundo?
Nosso exército de bestas jamais cruzará as montanhas. Ainda que fosse possível, os lanceiros que os montam são poucos em vista do exército que cobre a península até onde a vista alcança.
Já nos tomaram as ilhas prósperas e conhecem nossos navios. Antes que os elefantes cheguem até eles, sua frota terá cruzado o mar até nós. Já arrancaram nosso dinheiro, muito mais do que deveriam. Fomos capazes de prover e, até certo ponto, nos reconstruir. Mas não há lugar no mundo para nós e eles. Querem chupar nossos ossos, arrastar-nos para o fundo e nos obliterar. Como fizeram aos guerreiros do norte.
Sei que somos muitos, mas somos homens de comércio. As doenças romanas nos minam, estamos cansados e nos faltam suprimentos. Os mercenários nos ameaçam com injúrias e covardia.
Passei treze dias no mar da última vez, e foi muito pouco; conseguimos recuar com parte do navio destruída, e perdemos muitos homens. Eles têm lançadeiras mais longas que qualquer coisa já vista. É impossível atingi-los, senão com fogo. Seus tendões são como liga e suportam melhor as durezas da terra que qualquer um de nós. Agora nos igualaram no mar, e estamos enfraquecidos.
Se o general não pedir paz, tomarei o navio dos homens que vão para o Sul. Encetaremos a fuga antes que qualquer um perceba o que acontece. Se conseguirmos atravessar passar por Creta sem que as legiões do mar nos alcancem, desertaremos. Quero me estabelecer num entreposto qualquer longe do alcance de Roma. A mim bastaria a vida na terra. Meu pai se casou com mulher estrangeira; minha mãe vinha da terra das tâmaras e das ovelhas. É lá que encontrarei a vida.
(Da série: memórias de fatos que nunca ocorreram)

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