quinta-feira, janeiro 20, 2011

Mais um sonho cretino

Sonhei que vivia ao pé de um vulcão, numa vila de pessoas simples e pouco ruidosas. Sabendo que o vulcão era ativo, o prefeito tinha mandado colocar gigantescas bolas de Natal vermelhas em volta da cratera, para proteger a vila em caso de erupção. Inteligentemente, também tinha mandado cavar um fosso ao redor da vila, o que certamente facilitaria muito a fuga num momento de desespero. Apenas uma pinguela de tábuas nos ligava ao resto do mundo.
Então houve um terremoto e as coisas começaram a cair, as casas a desabar. O vulcão começou a lançar cinzas e as pessoas atravessavam a pinguela correndo, segurando seus bens de valor, tentando fugir do perigo. Minha avó, mais esperta, arranjou uma carriola e com ela transportou nossos tesouros (um rádio a pilha, louças lascadas, roupas de cama, um moedor e um cãozinho vira-lata) para fora do vilarejo. Num acesso de frieza (e calculismo), fui até o quarto buscar outras coisas enquanto o teto da cozinha era atingido pelas rochas cuspidas pelo vulcão. Nas estantes, porta-joias, caixinhas e porta-óculos recheados de moedas e barrinhas de ouro. A princípio tentei esvaziar as caixas e colocar tudo nos bolsos, mas vi que não funcionaria, então carreguei as caixas mesmo.
Lá fora, uma multidão (umas dez pessoas) observava o vulcão, e o Sr. J. Jonah Jameson - o prefeito - narrava ao microfone tudo o que acontecia bem diante dos nossos olhos. As bolas de Natal murcharam e escorregaram pela encosta do vulcão, aos poucos sendo consumidas pela lava que se dirigia para o fosso (e para nossas casas).
Ao fim das explosões, nada mais restava da vila e tivemos que ir para outros lugares. Eu fui para um bairro pobre e desagradável, em que as pessoas tinham o hábito de citar ditados populares a estranhos. Como a cidade toda estava infestada de desabrigados (nunca havia notado que a vila era tão populosa), sentíamo-nos como num furioso pós-guerra em que as pessoas mal conseguem sobreviver com os poucos recursos disponíveis.
Por exemplo, eu não tinha casa. Tive que montar uma mesa na calçada de um predinho. Forrei a mesa com uma toalha branca de linho e acendi um fogareiro sob a mesa. Coloquei o prato de vidro sobre ela e ali fritei dois bifes. Como havia pouca carne, teríamos que dividi-la. Eu, meu suposto marido e mais alguém que não lembro. Era muita escassez.
Fui comprar uma faca no mercado e custava R$ 95,00. Eu tinha várias barras de ouro e dobrões nos bolsos, mas mesmo assim achei um tremendo absurdo. Enrolei-me no meu xale surrado e saí.
Estávamos todos ainda sujos das cinzas da erupção. E todo mundo fazia fila para tudo. De modo que resolvi virar cigana e colocar as moedas na boca.
Depois tudo ficou confuso e não lembro de mais nada.

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