quinta-feira, janeiro 26, 2012

Arte

Queria ser capaz de pintar. Pintaria tudo de vermelho. 
Queria ser capaz de fazer poesia. Faria todas azuis. 
Queria ser capaz de dançar. Só dançaria amarelo. 
Quando fosse tocar um corpo, eu tocaria laranja, e para seduzir, seduziria púpura. 
Se eu fosse capaz de fazer música, faria um abecedário, e cada letra teria uma cor e um número. Cada número tem um som perfumado e simples, nunca há mais de uma nota. 
Se eu fosse capaz de enxergar, veria tudo cinza, e preto, e branco (e rosa). 
Queria ser capaz de decifrar o gosto que tem cada cor que ouço quando pinto números… mas os sabores são fugidios e quando estou a ponto de anotar seu cheiro, seu nome, ele me escapa. 
Queria ser capaz de inalar o mundo até inflar minha cabeça e encharcar meu coração de cores e aromas, dos mais acres aos mais límpidos e cardinais. E quando as cores atrás dos meus olhos ofuscassem meus sentidos, queria poder anotá-las numa partitura para poder reproduzir com as mãos, os pés, a língua.

Um comentário:

Luís Gustavo Brito Dias disse...

- pura sinestesia, dona badá. muito bom!